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Terça-feira, 18 de Maio de 2010, 21h:54
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OPERAÇÃO ASAFE
PF prende oito por venda de sentenças
Residências de magistrados e desembargadores aposentados foram alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A Polícia Federal prendeu ontem oito pessoas acusadas de venda de sentença na Justiça de Mato Grosso, entre elas a esposa do desembargador aposentado José Tadeu Cury, a advogada Célia Cury. No total, foram expedidos nove mandados de prisão temporária apenas o advogado Max Weize Mendonça não foi preso. O inquérito judicial tramita sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em razão do foro privilegiado de alguns dos investigados. A Polícia Federal só cumpre as determinações do STJ. Além dos mandados de prisão, a PF também cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios de advogados, desembargadores e juízes. Quarenta pessoas devem prestar depoimento. Também foram presos os advogados Rodrigo Vieira e Alessandro Jacarandá; o ex-prefeito de Alto Paraguai, Alcenor Alves de Souza; o empresário e genro de José Tadeu Cury, Cláudio Emanuel Camargo; e o ex-chefe de gabinete do desembargador José Tadeu Cury, Jarbas Nascimento, além de Santos de Souza Ribeiro e Ivone Reis de Siqueira. Foram cumpridos também mandados de busca e apreensão nas residências de seis magistrados: o juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Eduardo Jacob, o desembargador José Luiz de Carvalho, o desembargador e presidente do TRE Evandro Stábile e os desembargadores aposentados José Tadeu Cury e Donato Fortunato Ojeda. Quando a polícia chegou à residência de Ojeda para cumprir o mandado ontem de manhã, ele passou mal e foi internado. Os fatos apurados encontram-se sob segredo de Justiça, mas versam sobre crimes como de exploração de prestígio, corrupções ativa e passiva e formação de quadrilha. O presidente da Ordem dos Advogados Brasil, Cláudio Stábile, confirmou, porém, que a investigação é sobre a venda de sentença. Além de Cuiabá, foram cumpridos mandados nas cidades de Alto Paraguai e Várzea Grande. Depois dessas diligências, o inquérito será encaminhado para a Procuradoria Geral da União, que dará parecer, e depois volta para o julgamento no STJ, sob relatoria da ministra Nancy Andrighi, que determinou as prisões. As investigações foram iniciadas em 2007, quando a Polícia Federal em Goiás identificou situações que envolviam possível exploração de prestígio no Judiciário mato-grossense. As investigações recaem principalmente sobre o Tribunal Regional Eleitoral, já que juízes e ex-juízes do Tribunal são citados. A ex-juíza-substituta do TRE, advogada Maria Abadia Aguiar, também prestou depoimento. Ela foi uma das primeiras a deixar a PF ontem de manhã depois de ser ouvida. Revelou que existe uma interceptação telefônica na qual é citada para recebimento de vantagens. Mas eu não recebi nada. Estou muito surpresa com isso tudo, eu nem me lembro direito dessa ligação, disse Maria Abadia. A investigação foi denominada Asafe em referência ao Salmo 82 da Bíblia. O Profeta Asafe escreveu que Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. Até quando julgareis injustamente, e aceitaremos as pessoas dos ímpios?, diz trecho do salmo. Durante todo o dia de ontem - e até o fechamento desta edição - foi intenso o movimento de advogados e parentes dos citados na PF à procura de informações sobre o pedido de prisão ou mesmo o que motivou os mandados de busca e apreensões. As primeiras prisões ocorreram logo após às 6h da manhã.