Tem processo que envelhece como vinho. Outros, como certos escândalos políticos, parecem envelhecer como novela: ganham novos capítulos, novos personagens e nunca saem do horário nobre.
Mais de duas décadas depois dos fatos investigados, o Ministério Público Estadual voltou a colocar luz sobre um suposto esquema de desvio de recursos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Na mira estão nomes conhecidos da política estadual, entre eles o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro e os ex-deputados José Riva e Humberto Bosaipo.
Segundo o MPE, a história envolve oito cheques da Assembleia que, juntos, somavam quase R$ 487 mil. No papel, tudo parecia normal. Na prática, porém, a dona da empresa utilizada na operação disse nunca ter participado do negócio e sequer conhecer algumas das empresas que apareceram no roteiro.
O enredo, convenhamos, tem ingredientes clássicos da política brasileira: cheques, factoring, delação premiada, contadores, ex-deputados e um processo que atravessou governos, eleições e gerações de assessores.
Nos memoriais finais, o Ministério Público pede a condenação dos envolvidos e a devolução dos valores aos cofres públicos. Entre os beneficiários apontados pela investigação, Emanuel Pinheiro teria recebido R$ 45 mil. Riva, por sua vez, aparece não apenas como investigado, mas também como uma das principais fontes de informação do próprio processo, após firmar acordo de colaboração premiada.
Agora, a bola está com a Justiça. Depois de tantos anos, resta saber se o caso finalmente chegará aos créditos finais ou se ganhará mais algumas temporadas. Em Mato Grosso, quando o assunto é processo envolvendo a antiga Assembleia, o arquivo parece sempre ter espaço para mais um capítulo.




