POLÍCIA
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012, 20h:51
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CRIME PASSIONAL
Justiça acata denúncia contra PM
A Justiça acatou a denúncia (acusação formal) contra o policial militar Fernando Augusto Bezerra Júnior, de 25 anos, por duplo assassinato que vitimou a esposa Maria das Graças da Silva, de 23, com quatro tiros, e o primo dele Gregório Gomes Bezerra, de 25, com seis tiros na cabeça. O crime ocorreu no dia 28 de março deste no bairro Popular, em Cuiabá. O Ministério Público Estadual denunciou o PM por homicídio duplamente qualificado motivo fútil e recurso que dificulto a defesa por parte das vítimas. O processo criminal tramita na juíza da 1ª Vara da Defesa da Mulher e Violência Doméstica de Cuiabá, presidida pela juíza Ana Cristina da Silva Mendes. A audiência única está marcada para o próximo dia 6 de junho. A magistrada ainda decretou a prisão preventiva do militar e determinou que ele seja transferido para a Cadeião de Santo Antônio do Leverger, onde funciona um presídio militar. O militar se apresentou à Polícia três dias após o crime e entregou a arma do crime, a pistola ponto 40 que usa no seu serviço. Ao delegado Antônio Carlos Garcia, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, alegou legítima defesa, pois afirmou ter visto a esposa e o primo no sofá trocando carícias. Transtornado, ele discutiu com o primo. Muito emocionado, disse que tentou agredir o primo. Na briga, percebeu que o primo iria tentar pistola ponto 40 dele. Para complicar, a esposa veio por trás tentar segurá-lo. Então peguei minha arma (pistola ponto 40) e me defendi. Que eu me lembro, foram dois tiros, assegurou. O laudo de necropsia, no entanto, aponta que Maria das Graças foi executada com quatro tiros e o primo, com seis. O PM disse que tudo começou na noite anterior, quando ele estava tomando cerveja com a esposa e o primo. A cena foi vista pelo irmão de Fernando, no final da noite, quando voltou da faculdade e foi dormir nos fundos. Assim que acabou a cerveja em lata, no início da madrugada, ele resolveu comprar mais cerveja. Fernando esperou a chuva passar para sair e comprar. Como o PM alegou estar sem dinheiro, o primo ficou de pagar. Entregou-lhe o dinheiro e voltou com 10 garrafas de 600ml. Ao retornar, Fernando decidiu que não queria mais tomar cerveja e foi se deitar. Então, o primo e a esposa do militar ficaram na sala bebendo. Ao acordar, por volta das 5 horas, Fernando encontrou o casal ainda na sala. Disse que estava com fome, mas não tinha comida, pois o irmão dele havia comido. O militar disse para os dois que iria na feira fazer um lanche. Ele viu a esposa no sofá e o primo no quarto. Pela fresta da porta, percebeu que a luz estava acesa. Meia hora depois, Fernando retornou e então, deparou com a cena que resultou em um ataque de fúria que terminou com a esposa e o primo executados a tiros. Fernando disse que o primo morava na casa desde que se casou há quase 10 anos e nunca desconfiou de nada. Para o delegado, essa é a versão do militar que não pode ser confrontada com os demais envolvidos, pois estão mortos. Trata-se de uma versão para justificar o duplo crime. Uma versão de estar sob forte emoção, observou um policial plantonista. (AR)