MUNDO
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 20h:28
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FMI
Francesa é eleita nova diretora-gerente
Christine Lagarde, 55, assumirá o cargo no próximo dia 5, no lugar de Dominique Strauss-Kahn, acusado de agressão sexual. Brasil apoia francesa para dirigir o FMI
A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, foi nomeada ontem diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela assumirá o cargo no próximo dia 5. Lagarde e o diretor do Banco Central do México, Agustín Carstens, eram os dois candidatos que pleiteavam a direção do FMI, depois da recente demissão do francês Dominique Strauss-Kahn, acusado pela justiça americana de agressão sexual contra uma camareira em Nova York. A ministra era considerada há semanas como ampla favorita ao cargo, que é tradicionalmente ocupado por um europeu e ficou, na maior parte da história do Fundo, na mão de um francês. A escolha foi anunciada em um comunicado do FMI, após reunião do Conselho da Administração, principal órgão do FMI e formado por 24 membros. O sistema de votação proporcional do FMI é determinado pelo número de cotas que cada país tem, o que, por sua vez, leva em conta principalmente o volume de recursos que o país coloca no Fundo. Os Estados Unidos têm cerca de 17% dos votos. Os países europeus, incluindo os nórdicos, têm cerca de 40% a 47% do voto. Já países como Egito, Coreia do Sul, Rússia e nações africanas têm pouca representatividade. Lagarde já tinha obtido mais cedo o apoio dos EUA, o principal membro do FMI e que, por si só, garantia em teoria a sua eleição. No mesmo dia, a francesa obteve ainda o apoio da Rússia e do Brasil. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), a escolha foi feita porque Lagarde se comprometeu a continuar as reformas do fundo, buscando aumentar a participação dos emergentes. "Esperamos que esse compromisso seja cumprido, de dar continuidade a essas reformas, que não só nos colocaram em uma posição melhor", afirmou. Lagarde assume já com o desafio de lidar com a crise da dívida grega e os temores crescentes de um calote. O Parlamento grego votará nos próximos dias um amplo pacote de austeridade ao qual está condicionado seu novo pacote de resgate, que deve contar com a participação dos bancos privados. Advogada de formação e mãe de dois filhos, Lagarde, 55, começou a trabalhar em 1981 na delegação parisiense de Baker&McKenzie como advogada associada. Em 1995, passou a atuar como membro do comitê executivo mundial e, quatro anos mais tarde, como presidente. Em 2004, ganhou atenção à frente do comitê estratégico mundial. Ela abandonou o cargo um ano depois para entrar no governo do então presidente francês, Jacques Chirac, como vice-ministra de Comércio Exterior.