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Segunda-feira, 05 de Julho de 2010, 20h:28

Para Lugano, planejamento norteou boa campanha

ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
O Uruguai não chegava a uma semifinal de Copa do Mundo há 40 anos. Desde a derrota por 3 a 1 para o Brasil, em 1970, no Mundial do México, os vizinhos sul-americanos desabaram no futebol mundial. Seus clubes perderam força, os melhores jogadores passaram a procurar outras praças. A seleção definhou, ficou fora de cinco Mundiais, entre eles o da Alemanha, quatro anos atrás. Agora, está entre as quatro melhores do planeta. O que mudou? Para o zagueiro e capitão do time, o ex-são-paulino Diego Lugano, o que fez a diferença dessa vez foi a decisão dos dirigentes de fazer um planejamento para a seleção que visava a disputa da Copa do Mundo. "Foi feito um projeto a longo prazo como nunca acontecera antes no futebol uruguaio. Um projeto sério, organizado, corrigiu-se muita coisa dos anos anteriores", disse. "Estar hoje nessa situação é não casualidade". A reformulação na seleção uruguaia começou com a contratação do técnico Oscar Tabárez. Ele assumiu em março de 2006 com a missão de reformar a equipe (na verdade, reassumiu, pois treinou a equipe uruguaia que foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990) Além disso, é o responsável pelas seleções de base. Tabárez disse aos dirigentes que precisava de tempo e apoio, pois teria de enfrentar problemas como o fato de a grande maioria dos jogadores atuarem fora do país, além da inexperiência de muitos deles, o que significaria tropeços. Conseguiu paz para trabalhar, levou a seleção uruguaia ao quarto lugar na Copa América de 2007, teve altos e baixos. Mas seu cargo jamais esteve ameaçado. Nem mesmo quando o Uruguai levou 4 a 0 do Brasil em pleno estádio Centenário, durante as Eliminatórias sul-americanas. O treinador foi renovando aos poucos a equipe, dando "rodagem" aos jogadores. "Estou convicto de que levo à Copa do Mundo o que o Uruguai tem de melhor, pois conheço profundamente todos os jogadores", disse, por ocasião da convocação final. FUTURO - A seleção uruguaia foi resgatada, seja qual for o desfecho na Copa do Mundo da África do Sul. Mas, internamente, o futebol do país dificilmente vai ser fortalecido. Os clubes estão à míngua financeiramente, os campeonatos não atraem público, os jogadores continuam saindo do país. Lugano lamenta, mas tem esperança. "Espero que essa campanha marque um antes e um depois. O Uruguai é um país pequeno, mas tem uma cultura futebolística que poucos podem ter", afirmou o ex-são-paulino, que considera fundamental a modernização da estrutura que houve na seleção. "E com certeza será fundamental para o que virá". O problema é que, em nível interno, o futebol do Uruguai tem uma estrutura quase amadora. E isso não deve mudar tão cedo.

Edição EDIÇÃO 16959




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