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Editoriais
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, 20h:00

Operação Gênesis

Gênesis é o nome da operação conjunta das Forças Armadas com instituições policiais de Mato Grosso e federais, com suporte de órgãos de fiscalização fazendária, ambiental, agrária, de transporte, de trânsito e outros, no combate ao narcotráfico na faixa de fronteira mato-grossense de 983 km com a Bolívia. A operação começou na terça-feira (20) e se encerra hoje. Rodovias, trilhas conhecidas por “cabriteiras”, rios, corixos e o espaço aéreo estão sob intensa vigilância temporária de militares e policiais, o que estrangula a ação dos narcotraficantes dos cartéis das drogas bolivianas que alimentam boa parte do tráfico no Brasil. Não se discute a relevância de Gênesis nem o profissionalismo de seus integrantes. Porém, para que o cerco ao narcotráfico realmente produza os efeitos desejados não basta uma operação com duração de uma semana. O mercado clandestino da cocaína envolve elevadas cifras e se processa observando dinâmica operacional para assegurar a distribuição da droga sem risco de descontinuidade dessa ação criminosa. O estrangulamento dos cartéis por curto período não resultará no desabastecimento da droga, porque seguramente o tráfico varejista tem reserva de estoque para superar percalços momentâneos. O efeito positivo do combate somente será alcançado se ao invés do ‘fechamento’ da fronteira por uma semana os militares e policiais de Gênesis o fizessem por um longo período. Se a fronteira com a Bolívia (em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre) permanecesse por um ano sob cerco das forças militares e policiais essa situação forçaria os barões da cocaína e buscarem alternativas para a desova da droga no Brasil e para sua passagem pelo território nacional rumo aos mercados da Europa, América do Norte, Oceania, África e Ásia. Caso as rotas habitualmente usadas pelos chamados ‘mulas’ – que transportam pequenas quantidades de cocaína ou pasta-base – se tornassem impraticáveis os chefões teriam que planejar alternativas. As autoridades da segurança sabem que a consolidação de novas passagens para a cocaína não seria fácil por uma série de fatores. Esse cenário seria vantajoso para o Brasil, que assim teria melhores condições de enfrentar esse problema que é extremamente grave. Nos moldes em que é executada, Gênesis é operação paliativa. Em nome de resultados satisfatórios é preciso prolongá-la, para que se torne saturativa. A presença das Forças Armadas na fronteira é imprescindível para sufocar o narcotráfico e também extremamente útil no preparo dos efetivos militares das três Armas. Hoje, Gênesis será desmobilizada e o narcotráfico reassumirá suas ações na fronteira. Após o fim dessa operação a Polícia Federal, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e outras instituições policiais continuarão a fragilizada luta contra as investidas dos barões do pó, como se fossem encarregados de secar o piso debaixo de uma torneira aberta e que jorra muita água. Estrangulamento dos cartéis por curto período não resultará no desabastecimento da droga

Edição EDIÇÃO 16959




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