Militar, político, estadista e patrono do Exército Brasileiro, o marechal Luís Alves de Lima e Silva foi distinguido com o título de duque o único outorgado pelo Império - com o qual entrou para os anais da história enquanto Duque de Caxias. Citar feitos de Caxias enquanto pacificador nacionalista de movimentos separatistas no Brasil e sua coragem e austúcia militar em defesa da soberania nacional é reprisar a história de um dos maiores vultos do continente em todos os tempos. Para reverenciar a memória de Caxias o Brasil instituiu o 25 de agosto enquanto Dia do Soldado, pois o ilustre militar nasceu em 25 de agosto de 1803. A expressão Caxias usada tanto nas casernas quanto pela sociedade civil significa indivíduo extremamente devotado a determinada causas ou inteiramente dedicado ao que faz. Neste momento, em Mato Grosso, a data alusiva a Caxias deve servir de reflexão sobre o papel do Exército no contexto da ostensiva ação dos crimes transnacionais na fronteira com a Bolívia, notadamente com o narcotráfico controlado por barões da cocaína e com a passagem para aquele país de veículos roubados e furtados no Brasil. A missão do Exército nem sempre é compreendida por todos. Enquanto Força Terrestre, permanece em constante treinamento desenvolvendo estratégias militares e buscando constantemente a evolução tecnológica. Felizmente, não há necessidade de emprego de soldados em batalhas com inimigos externos nem contra grupos terroristas - e a tradição diplomática brasileira se encarrega muito bem de afastar qualquer possibilidade de deflagração de conflito. Em tese, no mundo inteiro é assim: em tempo de paz o Exército se dedica aos treinamentos, mas está sempre pronto para qualquer tipo de emprego quer seja na paz quer seja na guerra. Porém, em Mato Grosso essa força militar não pode permanecer somente sob esse enfoque e tem que ser mobilizada para o combate aos crimes nacionais na fronteira de quase mil quilômetros com a Bolívia nos municípios de Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. Por várias razões é dever constitucional do Exército enfrentar o narcotráfico na fronteira. Trata-se de crime transnacional organizado no exterior contra o povo brasileiro, contra as instituições brasileiras, contra a juventude brasileira. Trata-se de grupos munidos com armas de grosso calibre e que em solo nacional são privativas dos militares e policiais. Trata-se de defender a soberania do Brasil. A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e as forças policiais estaduais não têm estrutura para enfrentar os crimes transnacionais. Somente se o Exército lançar mão de grandes efetivos, de aviação, comboios fluviais e veículos de combate será possível estancar a ação dos barões da cocaína em Mato Grosso. Que os líderes militares levem isso em conta e que se deixem inspirar nos exemplos de Caxias, antes que Mato Grosso se transforme numa grande rota internacional de drogas e se torne terra de ninguém. Em Mato Grosso, a data alusiva a Caxias deve servir de reflexão sobre o papel do Exército