CIDADES
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010, 21h:06
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ACIDENTES
SRTE investiga 10% de mortes no trabalho
Em MT, média de 140 pessoas morre todos os anos vítimas de ocorrências no trabalho. Por falta de estrutura, SRTE deixa passar 90% dos casos
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
Todos os anos acidentes de trabalho levam à morte uma média de 140 pessoas em Mato Grosso, segundo levantamento da Previdência Social. Deste total, nem 10% dos casos são investigados pelos auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). A falta de estrutura, acúmulo de função e total desconhecimento dos casos explicam o abismo existente entre a elevada quantidade de acidentes e a eficiência da SRTE em investigá-los. De acordo com o Núcleo de Segurança e Saúde da SRTE, de abril a outubro deste ano, foram investigados 59 acidentes de trabalho não-fatais e outros nove que resultaram em morte. No total, 63 pessoas envolvidas se feriram nos acidentes e outras 10 morreram. Para Marly Cerqueira Vasconcelos, que responde pelo Núcleo de Segurança e Saúde da SRTE, o problema só será revertido quando se instituir uma política interinstitucional de prevenção. Para investigarmos todos os casos será preciso realizar um trabalho conjunto entre as instituições antes de eles acontecerem. É necessário fazer prevenção e não apenas controle dos acidentes, reforça. A composição do cenário de um acidente de trabalho com morte exige uma gama de informações de vários órgãos públicos como Polícia Civil, Instituto Médico Legal (IML), Previdência Social, da empresa contratante, documentação da vítima, depoimentos das testemunhas, entre outros. Vasconcelos reconhece as dificuldades. Falta informação do acidente em tempo real. É muito difícil programar um deslocamento de um auditor no Estado pela falta de estrutura, confirma. É praxe a SRTE tomar conhecimento dos casos por meio de denúncias e até mesmo a partir da divulgação dos acidentes pelos veículos de comunicação. A Superintendência conta com 63 auditores na ativa que se dividem em 13 projetos do órgão. Sobrecarregado, cada auditor não fica com menos de quatro projetos. Até o momento, não existe nenhum auditor responsável estritamente pela investigação dos casos de acidente do trabalho no órgão. Atrasos dos relatórios de investigação nessas condições são inevitáveis. Há mais de dois meses, a SRTE investiga as falhas que resultaram na morte do auxiliar de carpinteiro Maxiley Severo de Brito e do eletricista Gleiton Alves de Araújo. Ambos morreram em canteiros de obras distintos da construtora Brookfield, em Cuiabá. PREVENÇÃO - Das 73 vítimas de acidentes registrados este ano, 21 são trabalhadores que estavam há menos de dois meses na função. Para Vasconcelos, os casos seriam evitados se as empresas tivessem um eficiente sistema de prevenção. A partir de 2011, a Superintendência pretende destinar três auditores para trabalhar especificamente com a investigação de acidentes de trabalho. A meta do órgão é ampliar a atuação dos auditores em vários setores de Mato Grosso. Neste ano, o trabalho dos auditores ficou restrito a casos ocorridos em frigoríficos e na construção civil. Para a chefe da seção de Inspeção do Trabalho, Norma Lúcia, o problema não é mato-grossense e, sim do país. Ela aponta que faltam auditores e que eles estão distribuídos em setores com maior carga de desempenho, finaliza. Questões de direito trabalhista, por exemplo, demandam maior carga de trabalho, segundo Lúcia.