CIDADES
Terça-feira, 13 de Março de 2007, 21h:04
A
A
SAÚDE
Médico denuncia boicote ao atendimento no CPA IV
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Um dos ginecologistas do centro de saúde do CPA IV, Luiz Carlos de Alvarenga, denunciou ontem que a Secretaria Municipal de Saúde está boicotando suas consultas para prejudicá-lo, por fazer parte da diretoria do Sindicato dos Médicos. Ontem de manhã, ao chegar ao consultório e perceber que a mesa de exames havia sido retirada do local, Luiz Carlos se revoltou e expôs às pacientes que estavam na unidade a situação, que segundo ele, vem ocorrendo há meses. Uma das pacientes, Aracely Percino Zaizaé, 25 anos, contou que o ginecologista desabafou e que estava revoltado, porque quer atender, mas todos os dias apenas uma ou duas consultas são marcadas para ele. Aracely iniciou tratamento ginecológico com Alvarenga e ficou espantada ao saber que ele tinha horário ontem pela manhã. Eu pedi para minha tia marcar e em vez de me marcarem com ele, que conhece o meu caso e acompanha meu tratamento, me deram um horário com o outro ginecologista. Se eu soubesse que havia horário com ele, teria preferido, já que é que conhece minha história, argumentou. A gestante Geisa Aline Azevedo Oliveira, 29, contou que nunca viu qualquer funcionário da unidade dizer que não houvesse vaga com Alvarenga. Geisa revelou que o comentário entre as pacientes da ginecologia é, na verdade, de que o outro médico é mais atencioso e, por isso, muitas acabam preferindo ser atendidas por ele. Alvarenga é diretor de Defesa Profissional e Condições de Trabalho do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed). De acordo com o ginecologista, a situação vem se arrastando há alguns meses e para comprovar que ele vai ao consultório e não tem pacientes marcadas tem deixado no relatório que precisa fazer diariamente o questionamento sobre a situação. Todos os dias chego às 7 horas no centro de saúde e vejo a unidade lotada de pacientes de ginecologia. Quando vejo quantas estão marcadas para mim, me surpreendo. Se pergunto sobre as gestantes que estão esperando, me informam que são para o outro ginecologista. Na opinião do médico, o boicote ocorre quando as mulheres vão buscar informação sobre consultas e marcar horário. Nesse momento, ao invés de explicarem os horários de consultas dos dois ginecologistas que atendem pela manhã, as usuárias recebem informação apenas do médico que atende após 9 horas. Não acredito que a culpa é dos funcionários. Acho que a ordem vem de cima, porque sou membro do Sindimed e querem nos deixar desacreditados, mostrar que não queremos trabalhar. Eu venho todos os dias e quero atender as pacientes, não só as gestantes, mas também as que querem o serviço de ginecologia, frisou Alvarenga. Por nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá informou que as acusações de Alvarenga são um absurdo, porque a missão do órgão é promover a saúde da população e não impedir acesso aos seus serviços. Na nota, a SMS informou que se a agenda do médico é pequena, é porque as pacientes têm preferência por outros profissionais da unidade. ...Quanto à retirada da mesa ginecológica do consultório médico, a direção do centro de saúde informa que há mais de dois anos os próprios ginecologistas decidiram não mais fazer a coleta de material para exame, deixando este procedimento a cargo dos enfermeiros (...), consta na nota.