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CIDADES
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010, 21h:24

ALIMENTAÇÃO

Mais bebida no lugar de arroz e feijão

Assim como o restante dos brasileiros, mato-grossenses reduziram consumo de cereais e leguminosas, mas aumentaram o de refrigerante e cerveja

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que os mato-grossenses, assim como o restante dos brasileiros, estão comprando menos arroz e feijão e mais refrigerante e cerveja. A aquisição do cereal em Mato Grosso caiu 50%, enquanto a queda do feijão foi de aproximadamente 20% entre os anos de 2003 e 2009. Os indicadores do IBGE medem a quantidade do item adquirido em um ano por uma família, dividido pelo número de pessoas que a compõem. A quantidade de arroz comparada em Mato Grosso caiu pela metade nos últimos seis anos. Em 2003, eram consumidos 34 quilos anuais, contra os 17,9 quilos de 2009. Em Cuiabá são adquiridos 19,1 quilos por ano, maior do que a média no Estado. Entretanto, a pesquisa revela que os cuiabanos adquirem menos cereais (arroz e milho) e leguminosas (tipos de feijão) que o restante dos mato-grossenses. Em compensação, a quantidade de hortaliças consumidas na Capital é maior do que a verificada no Estado. O levantamento aponta ainda que a quantidade de cerveja comprada pelas famílias de Mato Grosso aumentou 10,6%, passando de 5,8 quilos para 6,2. Na Capital, o consumo do líquido é maior, com 8,4 quilos. Quanto ao consumo de refrigerante de cola, o Estado teve crescimento de 12,7%, aumentando de 7,2 quilos para 9,3 anuais. A aquisição do líquido é maior em Cuiabá, com 16 quilos por ano. A publicitária Christiane Brasil Sotero, de 25 anos, afirma que gosta muito de comer arroz, feijão e salada, mas que não resiste a doces. “Eu adoro doces, como todo dia. Meus favoritos são sorvete e chocolate”, afirma. A jovem faz parte do grupo de pessoas que consome muito açúcar todos os dias, e não só por causa dos doces. Enquanto especialistas recomendam evitar o refrigerante por causa da alta quantidade de açúcar, ela conta que bebe apenas no almoço, durante a semana, mas aumenta a quantidade aos sábados e domingos. Para a diretora de Atenção Básica da Rede Municipal de Saúde, Silmayre Silva, o excesso de açúcar na dieta das pessoas é um dos principais vilões da dieta atual dos brasileiros. “As pessoas estão deixando de consumir o que é bom para a saúde, como arroz e feijão, e aumentando a quantidade de doces e refrigerantes. Isso, entre outros fatores, faz com que haja aumento nos casos de obesos e favorece doenças como a diabetes”, afirma. A diretora diz ainda que muitas pessoas tiram o tradicional arroz com feijão por medo de engordar, o que é um equívoco. “A combinação, que é tão tradicional quanto saudável, tem boas quantidades de carboidratos e proteínas. Comendo moderadamente, as pessoas não vão engordar. Tudo é uma questão de bom senso”, explica. Em relação ao alto consumo de cerveja, Silmayre Silva alerta para os riscos do alto consumo da bebida. “O abuso da cerveja, assim como as demais bebidas alcoólicas, pode causar hipertensão e doenças hepáticas, só para citar alguns exemplos. O melhor ainda é pegar leve na bebida”, avalia. Os dados divulgados ontem pelo IBGE fazem parte das pesquisas Aquisição Alimentar Domiciliar per capita – Brasil e Grandes Regiões e Avaliação Nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Os levantamentos avaliam, respectivamente, as quantidades de alimentos adquiridos pelas famílias para consumo domiciliar e a qualidade dos itens disponíveis para consumo dos brasileiros. No Brasil, a aquisição de arroz, cuja média anual era 24,5 quilos, caiu para 14,6 quilos anuais; do feijão, caiu de 12,4 quilos para 9,1. Queda também foi verificada na compra de açúcar refinado, passando de 6,1 quilos para 3,2 por ano. Já o refrigerante de cola foi mais adquirido pelas famílias brasileiras. Se em 2003 eram 9,1 quilos, em 2009 passou para 12,7 quilos, crescimento de 39,3%. A cerveja também esteve mais presente nos lares, registrando aumento de 23,2%, passando de 4,6 quilos para 5,6 anuais.

Edição EDIÇÃO 16959




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