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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 11 de Maio de 2013, 13h:37

OBRAS DA COPA

Mães operárias dão exemplo de coragem

Mesmo com a vida marcada pelo sofrimento, trabalhadoras do setor da construção mostram que sempre é possível “dar a volta por cima”

ALECY ALVES
Da Reportagem
Hoje, em homenagem ao Dia das Mães, o DIÁRIO conta a história de vida de três mães operárias das obras da Copa de 2014, duas do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e uma do Centro Oficial de Treinamento(COT), em construção em Várzea Grande. São mulheres com trajetória de coragem, determinação, superação, perdas, orgulho e muitos planos para si e para a família, como todas as mães. Em comum entre elas, além do amor incondicional aos filhos, está o orgulho por integrar o batalhão de trabalhadores das obras de uma das cidades-sedes do maior evento de futebol do mundo. A primeira das entrevistadas foi Rosenita Coelho de Almeida, de 39 anos. A Rose, como é está escrito no capacete da trabalhadora, teve a vida marcada por muita dor e sofrimento. Neste Dias das Mães, seria o aniversário (22 anos) do filho mais velho dela, Dalvan, que morreu assassinado. Dalvan tinha 18 anos e 8 meses - como ela frisa - quando foi morto com um golpe de faca. O autor do crime era um rapaz, que não se conformava em perder a namorada para a vítima. Como o Dia das Mães ocorre sempre no segundo domingo de maio, esta será a primeira vez, desde a morte dele, que o aniversário coincide a celebração das mães. Rose lembra que quando a tragédia aconteceu, ela sentiu que o mundo desabou sobre a família inteira. Ao mesmo tempo em que sofria com a perda do filho mais velho, tinha que buscar forças para cuidar do caçula, Antônio, que se recuperava de uma cirurgia no fígado (abscesso hepático). A doença o manteve a beira da morte por três meses, tempo que ficou internado em um hospital. Se não bastasse, poucas semanas depois o marido, Francisco de Assis Ferreira do Carmo, teve de ser internado às pressas com pneumonia. E ainda, outro filho, Danilo, entrou em depressão. Superar a morte de um filho, o pior sentimento descrito por uma mãe, e ainda ajudar na recuperação dos demais membros da família, são batalhas diárias da vida dessa mãe. Quando o filho mais velho, Dalvan, tinha cinco anos, Rose se separou do primeiro marido e assumiu sozinha a criação e educação dos três. Na época, relembra, chegou a ter três empregos para garantir o sustento da família. Trabalhava durante o dia como doméstica em uma casa. Durante a noite, duas vezes por semana, passava roupa em outra residência e aos sábado à tarde fazia faxina para uma servidora federal. Os filhos? Ah! Ficavam com uma vizinha ou iam com ela para o serviço. Hoje, trabalhando como copeira do COT da Copa, em Várzea Grande, ela diz que é uma pessoa feliz. Não só porque tem um bom emprego, mas porque trabalha junto com o atual marido, que é mestre de obras, e do filho, Antônio, 19 anos, que é pedreiro. Aqui, diz, está na companhia do marido, do filho Antônio, que trouxe consigo o neto dela, de dois anos, e a nora. Somente o filho Danilo optou por continuar morando em Vilhena (RO). “Deus me fez entender que ninguém vive um dia a mais se não for da vontade dele”, revela, observando que isso amenizou a dor da perda do filho. O marido, Francisco, é outro motivo de felicidade dela. Casados há 12 anos, ela conta que os filhos o chamam de pai. Em Várzea Grande, onde mora por causa da proximidade com a obra, Rose diz que o plano da família é se reerguer financeiramente. Por causa da morte do filho e de tantas doenças na família, teve que vender até a casa onde vivia. “Meu sonho é comprar outro imóvel e uma motinha para poder andar aqui por perto”, completa, observando que o marido já conseguiu comprar um carro para família.

Edição EDIÇÃO 16959




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