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CIDADES
Sexta-feira, 24 de Junho de 2011, 20h:35

PANTANAL

Famílias querem responsabilizar shopping

Pais e familiares dos adolescentes que participaram da ida ao teto do centro comercial deram coletiva ontem e apontaram falhas da administração

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Um labirinto que leva direto para um alçapão, de livre acesso e sem qualquer tipo de aviso sobre os perigos. Foi assim que familiares dos estudantes Keiza Souza, 12 anos, Marcelino Campos, 15, e Gustavo França dos Santos, de 14 anos, classificam a saída de emergência, que fica no terceiro piso do Pantanal Shopping, em Cuiabá. Os familiares querem responsabilizar o centro comercial. Na última terça-feira, os três, junto com outros cinco adolescentes, tiveram acesso à área, subiram e caíram do telhado. Keisa morreu no local e Marcelino, horas depois no Pronto-Socorro da Capital. “Imagina num momento de desespero. Quantas pessoas iriam subir a escada e parar no telhado. Duzentas, trezentas? Poderia ter ocorrido um acidente de proporções muito maiores, porque as pessoas iriam pegar a escada e se encontrariam num verdadeiro alçapão”, disse o advogado das famílias, Marcelon Ângelos Macedo. Prima de Keiza, Grauciane Cruz de Souza esteve no shopping momentos depois da tragédia. Ontem, ela e familiares das vítimas, juntamente com Ângelos, concederam entrevista coletiva, oportunidade em que, do ponto de vistas, deles apontaram falhas nos procedimentos adotados pela administração do condomínio comercial e na assistência aos feridos. Após o resultado do inquérito policial, Ângelos deverá entrar na Justiça com a ação por reparação de danos morais contra a administração do shopping. Além de Gustavo, que saiu momentos antes para uma avaliação médica, participou da entrevista N.R. (nome não divulgado a pedido da família), 13 anos, que fazia parte do grupo de adolescentes. Pai de Gustavo, Valdomiro Oliveira disse que o filho iria passar por uma avaliação médica (particular) já que ainda estava muito inchado e precisa passar por uma cirurgia para reconstrução de quatro dentes. Com dificuldades em falar, Gustavo, que quebrou o maxilar, reafirmou que subiu ao telhado por curiosidade. O mesmo garantiu N.R.. “Não tínhamos a intenção de entrar no cinema como foi dito por aí. Não havia placa dizendo que a área era restrita, que há fios de energia elétrica, não sabíamos que era proibido. A saída tinha livre acesso”, reforçou a garota comentando que todos estavam com dificuldades para descer a escada. “Eu me afastei para caçar outro caminho e estava de costa quando ouvi um grande barulho. Quando me virei vi minha amiga (Keisa) voando”, relatou. Os familiares apontam vários erros nos procedimentos utilizados pela administração do shopping. Segundo eles, o local do acidente foi limpo antes da perícia técnica chegar e não houve assistência imediata a todos os feridos. “O acidente ocorreu antes das 11 horas e chamaram o Samu depois da 1h30”, afirma Grauciana de Souza dizendo que o cartão de memória do celular de Keisa, onde estavam as filmagens e fotos tiradas no local, desapareceu da mochila da garota. Segundo eles, a queda foi de 12 metros e não oito, como havia informado a administração do shopping.

Edição EDIÇÃO 16959




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