A combinação de palanque, inauguração de obras e discursos dissimulados em favor da candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Planalto rendeu a primeira multa por campanha antecipada aplicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Joelson Dias multou ontem em R$ 5 mil o presidente por entender que ele fez propaganda eleitoral em favor da chefe da Casa Civil antes do permitido. O episódio ocorreu em maio de 2009, durante cerimônia de inauguração de obras com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao analisar uma representação do PSDB contra Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, o ministro concluiu que houve propaganda indireta e encoberta da candidatura de Dilma durante o evento, ocorrido em Manguinhos, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o presidente afirmou: "Só volto em dois mil. Em dezembro de 2010, para entregar o mandato para outra pessoa Eu quero pedir o seguinte: depois vão dizer aqui, os companheiros da associação aqui... dizer o seguinte: o Lula não falou em campanha política. Vocês é que se meteram a cantar, a gritar o nome aí (o nome da ministra Dilma Rousseff) ... Eu espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta neste momento." A multa é primeira aplicada a Lula por propagandear a candidatura de Dilma, mas não é a primeira vez que Lula tem uma decisão desfavorável no TSE. O presidente foi condenado pelo tribunal a pagar uma multa de R$ 900 mil por causa da edição da cartilha "Brasil um País de Todos" em 2006. A Corte concluiu que era propaganda eleitoral irregular. A multa ainda não foi paga. A Justiça analisa um pedido que contesta o valor da multa. Sobre a condenação de ontem por causa do evento em Manguinhos, a inauguração de um centro poliesportivo, os advogados de Lula poderão recorrer ao plenário do TSE. O ministro Joelson Dias afirmou que assistiu ao vídeo do evento e observou que após Lula ter dito que voltaria em dezembro de 2010 para entregar o mandato para outra pessoa alguns presentes começaram a aclamar o nome da ministra Dilma Rousseff.