BRASIL
Quinta-feira, 04 de Agosto de 2011, 20h:27
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JUSTIÇA
Jobim pede demissão; Amorim vai assumir
Antes, a presidente já havia conversado por telefone com Jobim e disse a ele que, diante da polêmica criada por suas declarações, a única saída era ele pedir demissão
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregou a carta de demissão à presidente Dilma Rousseff na noite de ontem. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim foi convidado e aceitou assumir como novo ministro da Defesa. A posse ainda não foi marcada. A reunião entre Dilma e Jobim durou menos de cinco minutos, segundo a assessoria. Jobim chegou com a carta pronta para entregar para a presidente. Fez a entrega e foi embora. Antes, a presidente já havia conversado por telefone com Jobim e disse a ele que, diante da polêmica criada por suas declarações, a única saída era ele pedir demissão. Do contrário, teria afirmado Dilma, não lhe restaria outra opção a não ser ela mesma demiti-lo. O ministro tem feito declarações polêmicas e desagradado o governo. À revista "Piauí" ele disse que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) é "fraquinha" e que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) "sequer conhece Brasília". O ministro, no entanto, negou na tarde de ontem que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras. A situação do ministro já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de que votou em José Serra nas eleições de 2010. Apesar disso, Dilma preferiu não tomar nenhuma atitude em meio a uma semana politicamente conturbada. Jobim também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com "idiotas", que "escrevem para o esquecimento". Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo. LULA O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Bogotá que, se forem verdadeiras, as declarações do ministro da Defesa à revista "Piauí" "criam uma situação constrangedora". Questionado, o ex-presidente afirmou que não sabia se as críticas feitas por Jobim às colegas de gabinete Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) à revista, antecipadas pela coluna de Mônica Bergamo, justificavam demissão. Comparou, no entanto, o ministro com Pelé jogando mal numa equipe: "O ministro Jobim é o homem que tem conduzido o Ministério da Defesa com muita grandeza. Um trabalho excepcional. O programa estratégico de defesa é muito importante. Mas se até o Pelé não estiver jogando bem, o técnico tira..." E continuou: "De qualquer forma, é ela quem vai conversar com ele. Dois gaúchos se entendem. Ou não se entendem". Lula contou que anteontem houve uma reunião entre Dilma e Jobim, com resultado positivo. "Ela teve uma conversa, que eu fui informado, que foi boa ontem com ele. Ele tava satisfeito, ela tava satisfeita", disse. "Se ele não falou para ela da Piauí e ela ficou sabendo da Piauí, realmente cria uma situação constrangedora para ele que não falou e para ela. Foi muito deselegante", seguiu o ex-presidente, que participa ontem de um fórum do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para promover investimentos no Brasil e na Colômbia. Dilma decidiu manter Jobim no cargo de ministro da Defesa por influência de Lula. Pesou a favor de Jobim seu reconhecimento no meio militar e seu trabalho para institucionalizar o Ministério da Defesa, criado há 12 anos.