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BRASIL
Sexta-feira, 02 de Julho de 2010, 20h:12

ADVOGADO

Investigações não devem descartar crime premeditado

EDUARDO KATTAH
Da Agência Estado – BH
O advogado Jader Marques, que representa o arquiteto Carlos Samudio, pai de Eliza Samudio, disse ontem que a investigação sobre o sumiço da jovem não deve descartar a hipótese de crime premeditado. O goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, é o principal suspeito no inquérito que apura o desaparecimento de Eliza, com quem teria um filho de 4 meses, fruto de uma relação extraconjugal. Bruno nega envolvimento no caso. A polícia trabalha com a hipótese de que a jovem de 25 anos tenha sido assassinada, mas ainda busca provas do suposto crime. O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação, disse que Bruno poderá ser convocado em breve para prestar depoimento. "Este momento está próximo." "Um dos caminhos que pode ser levantado é esse (de crime premeditado). Como já era uma situação esperada por ele (Bruno) e planejada, o fato de não encontrar o cadáver pode ser parte do plano em geral", afirmou Marques, que possui escritório em Porto Alegre e no domingo deverá embarcar para Belo Horizonte para tomar ciência dos depoimentos colhidos até o momento. Cerca de 25 pessoas já foram ouvidas. O pai de Eliza, por meio do advogado, oferece uma recompensa de R$ 5 mil a quem apresentar informações que contribuam com a investigação. O próprio Marques, porém, não tem certeza da eficácia da medida. "A gente tem de tentar movimentar a turma aí Dizem que tem gente aí capaz de dar essa ajuda e não está querendo se meter." Desde a divulgação do caso na mídia, pelo menos 42 ligações consideradas relevantes foram recebidas pelo serviço disque-denúncia (telefone 181) da polícia mineira. Os delegados responsáveis pelo inquérito tentam preservar as investigações, mantendo informações sob sigilo. As ligações feitas por Eliza no período investigado, entre os dias 04 e 10 de junho, estão sendo mapeadas e confrontadas com depoimentos prestados pelos suspeitos e testemunhas. A Justiça mantém sob segredo informações sobre o pedido de quebra de sigilo telefônico em relação a Bruno e outros suspeitos. Entre os investigados está um suposto traficante de Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital mineira. Conforme versão de uma testemunha, ele teria recebido R$ 70 mil para desaparecer com o corpo da jovem. A assessoria de imprensa da Polícia Civil desmentiu hoje a informação de que o administrador do sítio do goleiro do Flamengo tenha confirmado a presença de Eliza na propriedade do jogador, localizada no condomínio Turmalina, em Esmeraldas, também na região metropolitana de Belo Horizonte. Elenilson Vitor da Silva prestou depoimento que avançou pela madrugada de anteontem. No dia anterior ele havia registrado queixa de um furto no sítio. No primeiro depoimento que concedeu, Elenilson, a exemplo de outros empregados ou pessoas próximas a Bruno, afirmou que não tinha visto Eliza no local. Oficialmente, a polícia informa que as evidências de que a jovem esteve no local foram colhidas na perícia realizada no imóvel e com base no depoimento de uma testemunha - que supostamente trabalha em residência vizinha ao sítio - que afirmou ter visto Eliza na área da piscina do sítio junto com Bruno e outros dois amigos.

Edição EDIÇÃO 16959




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