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ARTIGO
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013, 20h:46

ADILSON ROSA

O dragão está acordado

O dragão da inflação parece que está acordando, depois de muito tempo hibernando. Ele se fingiu de morto, mas já manda aviso através dos preços que insistem em subir e o governo se finge de morto. A impressão que passa é que o atual governo não utiliza os instrumentos necessários para mais uma pancada no dragão. Pior, parece que reza para que os preços caiam. Assim fica difícil. Em ano eleitoral, muitas decisões pesam mais, pois é um novo mandato que está em jogo. Quem viveu os tempos áureos da inflação com até 89% somente num mês – quem tem menos de 20 anos, talvez ache que se seja ficção. Eu me lembro que um vidro de maionese numa semana custava R$ 3.900 na promoção e dias depois, estava a R$ 9.900. Era o descontrole total. Uma época em que se vivia para comprar comida, onde a dispensa tinha prioridade. Até peças íntimas – como cueca e calcinha – ficavam de fora. Carro, então, nem pensar. Só para rico mesmo. Mas é a pura verdade. E esse tempo, ninguém quer mais que ele volte. A volta triunfal do dragão só mesmo no cinema. Pior que muitos veículos de comunicação fazem chacota dizendo que inflação é coisa da “Globo”. Acontece que os nossos colegas da Rede Globo – tanto da TV, como nas rádios, jornal e revista – e de outras emissoras também estão cobertos de razão. Uma inflação de 65,% ao ano é um escândalo. E o Governo não admite que isso é preocupante. O ex-presidente Lula ao menos levou a questão a sério. O dragão da inflação já começa a incomodar, pois o aumento dos produtos já passa a dominar os assuntos do dia a dia das pessoas. Ainda mais com redes sociais que chegaram a eleger o tomate como o símbolo da inflação. E nesse ritmo, o assunto será a inflação. Pior, será a reindexação – o reajuste de hoje pela inflação de ontem. Pronto. O dragão está de volta. Os atuais governantes precisam entender que a inflação dos alimentos – que é a mais alta, mas já contamina os serviços – é maior para a classe baixa que chega a gastar até 50% de seu rendimento só com comida. Como a inflação não atingiu o topo – e o bolso de nossos governantes – parece que está tudo bem. É só eles descobrirem que o dragão vai começar a queimar o voto, quem sabe alguém acorda e toma uma decisão sensata. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16959




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