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ARTIGO
Terça-feira, 05 de Abril de 2011, 20h:26

ADILSON ROSA

Até quando?

No final dos anos 50, a Coréia do Sul resolveu investir o que tinha e o que não tinha em educação, pois de cada três coreanos, dois eram analfabetos. No Brasil, a situação não era muito diferente, mas passadas seis décadas, os resultados são nitidamente opostos, pois não investimos em educação na mesma proporção do país asiático. Na Coréia, de cada 10 jovens, oito tem formação superior. No Brasil, de cada 10 estudantes que iniciam o primeiro ano do ensino fundamental, apenas tres concluem o ensino médio – um recorde negativo mundial de dar inveja a países africanos. E os números negativos não param por aí. Os últimos resultados de avaliação de leitura e matemática, mostram que os nossos estudantes fizeram feio que dá medo. Estamos entre os 15 piores na leitura e os 10 piores na matemática que avalia as quatro operações. No índice de repetência também é recorde mundial. Temos 18,7% em média enquanto que a média mundial não chega a 3%. Como aprendizado e repetência nunca estão lado a lado, o Conselho Nacional de Educação pretende mudar a metodologia de avaliação e repetência. Entre as mudanças está a promoção automática nos primeiros anos do ensino fundamental. Se a criança vai passar sem saber, somente o tempo dirá. Os educadores já adiantaram que são contra. Em 60 anos, tivemos mais de 15 governantes e nenhum deles implantou uma política educacional para nos tirar do fundo do poço. A começar pela desvalorização do magistério, em todas as esferas, contaminando o ensino particular. O que há 30 anos era símbolo de orgulho, chamar uma pessoa de professor, em alguns casos, passou a ser pejorativo. Veja caro leitor, onde fomos parar – nossos mestres, tidos como um de nossos orgulhos, estão desvalorizados como nunca. Enquanto na Coréia os melhores de suas áreas são chamados para ensinar, no Brasil se faz exatamente o contrário. Não que os piores são chamados, mas os melhores agradecem o convite e partem para outras profissões. O próprio Governo Federal já está ciente que qualquer profissional com curso superior ganha até dois terços a mais do que para ficar numa sala de aula de uma escola pública. Termino meu artigo com a mesma pergunta quando falo sobre educação. Até quando vamos continuar assim? ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16959




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