Depois de uma consulta ao TCE, o vereador Onofre Júnior teve que dar a mão à palmatória e assumir que fará uso da verba indenizatória
LAURA NABUCO
Da Reportagem
Depois de receber o resultado de sua consulta ao Tribunal de Conta do Estado (TCE), o vereador por Cuiabá Onofre Júnior (PSB) teve que dar a mão à palmatória segundo palavras dele próprio e admitir que fará uso da verba indenizatória. Durante toda a campanha eleitoral, o socialista criticou a existência do benefício e prometeu que devolveria o valor aos cofres públicos, se eleito. Durante a sessão plenária de ontem, contudo, anunciou que vai utilizar o recurso de R$ 25 mil ao mês. Eu acreditava que esta Casa bancava gastos com papel, combustível, pagamento de funcionários. Hoje vejo que tudo isso fica por conta do vereador. Não temos sequer diárias para viagens, justificou. A consulta de Onofre ao TCE também minou os planos de Faissal Calil (PSB), que pretendia doar parte do recurso a que tem direito para cinco escolas. Isso porque, segundo a corte de Contas, as despesas às quais a verba indenizatória é destinada devem estar especificadas em lei. Faissal anunciou que faria as doações sob a justificativa de não concordar com o aumento da verba de R$ 15 mil para R$ 25 mil -, aprovado no final do ano passado. Ele argumenta que o valor pago durante a legislatura anterior é suficiente para arcar com as despesas da atividade parlamentar. O objetivo do socialista era investir os R$ 10 mil a mais em projetos artísticos ou culturais desenvolvidos por cinco escolas que ainda seriam escolhidas. De acordo com a resposta do TCE, não vou mais poder fazer, mas pretendo reverter esse dinheiro em projetos positivos à sociedade. Tudo terá as contas prestadas em meu site. A prestação de contas acerca de como a verba é aplicada também foi citada por Onofre. O vereador disse que vai defender que todos os parlamentares tenham que apresentar os comprovantes de como o dinheiro foi aplicado. Não vejo problema em mudar a lei para que todos tenham que prestar contas. Só não acho justo que eu seja o único a ter essa cobrança por ter sido contra a verba, disse. A postura de Onofre foi criticada pelos demais vereadores. Durante suas explicações na tribuna, Adevair Cabral (PDT) pediu aparte para propor ao socialista que encaminhasse uma carta à presidência da mesa diretora informando que não queria receber o recurso. Já Clovis Hugueney, o Clovito (PTB), classificou as críticas do socialista ao benefício como inexperiência. Quando você chega novo em algum lugar tem que ser com tranquilidade. Tem muitos projetos que nós não apresentamos por ser inconstitucionais. Ele (Onofre) chegou falando de um assunto sem ter conhecimento sobre ele, avaliou.