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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

CIDADES
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026, 05h:23

EM CONFRESA

CRM-MT identifica falhas e investiga diretor técnico após mutirão oftalmológico

Da Reportagem

Após a identificação de irregularidades, a Comissão de Prerrogativas Médicas do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) aprovou, por unanimidade, a abertura de sindicância para apurar a conduta do diretor técnico responsável pela empresa que realizou um mutirão de cirurgias oftalmológicas em Confresa (1.058 km ao Noroeste de Cuiabá).

A fiscalização do CRM identificou uma série de falhas na estrutura e na organização dos atendimentos. A vistoria foi realizada em atendimento a uma demanda do Ministério Público do Estado (MP-MT) e da própria diretoria do CRM-MT, com o objetivo de verificar as condições de funcionamento do mutirão.

A sindicância irá apurar a responsabilidade ética do diretor técnico, que não teve o nome divulgado, diante das irregularidades identificadas. “O CRM-MT tem o dever legal de fiscalizar o exercício da Medicina e agir sempre que houver indícios de descumprimento das normas éticas e técnicas. O objetivo é garantir que a população receba atendimento seguro e que os profissionais atuem dentro dos padrões exigidos pela legislação”, disse o presidente do CRM-MT, Adriano Pinho.

Conforme informações da assessoria do Conselho, foram detectadas falhas consideradas graves, relacionadas à segurança do paciente, à documentação médica e às condições técnicas para a realização dos procedimentos. Entre elas, estão a ausência de equipamentos e medicamentos para atendimento de emergências, inexistência de ambulância e de hospital de retaguarda formalmente contratados, além da falta de protocolos para situações de intercorrência durante ou após as cirurgias.

A fiscalização também verificou que a sala cirúrgica e a Central de Material Esterilizado (CME) foram montadas de forma provisória, sem atender às exigências sanitárias e estruturais previstas nas normas vigentes. Segundo o relatório, não havia área adequada para escovação cirúrgica das mãos, nem controle formal do processo de esterilização dos materiais utilizados.

Outro ponto destacado foi a análise dos prontuários médicos. Ainda, segundo a assessoria, os fiscais encontraram termos de consentimento livre e esclarecido assinados pelos pacientes com campos essenciais em branco, como a identificação do procedimento e do médico responsável.

Também foram verificadas fichas pré-operatórias preenchidas por profissionais sem a qualificação exigida e ausência de registros básicos, como sinais vitais dos pacientes antes das cirurgias.

Além disso, a empresa responsável pelo mutirão não possuía registro junto ao CRM-MT para a atividade desenvolvida no Estado, e parte dos médicos participantes atuava sem a devida regularização perante o Conselho na data da fiscalização. A sindicância seguirá os trâmites previstos nas normas do CRM, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

 


Edição EDIÇÃO 16961




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