As ações de desintrusão para a retirada de garimpeiros ilegais seguem em andamento na Terra Indígena (TI) Sararé, localizada entre os municípios de Pontes e Lacerda e Conquista D’Oeste (445 e 451 km respectivamente, a Oeste de Cuiabá). Desde o fim de março deste ano, já são 1.090 operações integradas realizadas pela força-tarefa federal.
Nesses cerca de três meses, as equipes impuseram ao garimpo ilegal um prejuízo estimado em R$ 93,3 milhões. Os números representam o resultado do trabalho integrado entre ministérios, forças de segurança e órgãos que compõem a força-tarefa.
Entre os objetivos estão a garantia da segurança e proteção do povo indígena Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, bem como a preservação do território que vinha sendo destruído pela exploração ilegal de ouro.
Os dados da coordenação da operação, a cargo da Casa Civil da Presidência da República, mostram ainda que, nesse período, mais de 1,5 tonelada de explosivos foi encontrada, o que evidencia o uso intensivo do método conhecido como "garimpo de filão" no território. A prática utiliza explosivos para perfurar o solo, fragmentar rochas e extrair ouro.
Conforme o governo, essa tática é altamente perigosa, expõe os garimpeiros a condições de extrema vulnerabilidade, com risco de desabamentos, e é utilizada na tentativa de burlar ações de fiscalização.
"Nossa atuação é contínua e diversificada, com a expertise de todos os órgãos e agências que compõem esta megaoperação. Estamos atuando em várias frentes para desarticular tudo aquilo que a atividade criminosa promoveu no território. Chegamos à 11ª semana de operações para interromper a extração ilegal de ouro na Terra Sararé", afirmou Nilton Tubino, responsável pela coordenação da força-tarefa.
Os cálculos do prejuízo contabilizam ainda toda a infraestrutura criminosa inviabilizada pelos agentes e servidores federais, incluindo 29 escavadeiras hidráulicas inutilizadas e/ou apreendidas, 284 geradores, 345 maquinários leves, 726 motores de garimpo e 81 motocicletas, entre outros materiais.
Até junho passado, 124 pessoas foram conduzidas à Delegacia da Polícia Federal. Desse total, 45 foram autuadas em flagrante delito por terem sido localizadas em contexto de atividade garimpeira irregular e/ou em posse de materiais, equipamentos, insumos ou objetos relacionados ao suporte e à manutenção do garimpo ilegal no interior do território indígena.
A TI Sararé se estende por uma área de 67 mil hectares, dos quais 4.200 hectares foram impactados pela atividade garimpeira. Homologada em 1985, a área tem enfrentado, nos últimos anos, conflitos decorrentes da exploração ilegal de ouro.




