Para alguns críticos, ex-representantes de classe aproveitaram a situação para se promover, inclusive comandando sucessivas greves
HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Muitas carreiras políticas começam dentro de um sindicato. Com grande poder de representação, estas agremiações acabam sendo o primeiro degrau para as candidaturas a vereador. Muitas vezes tachados de oportunistas pelos adversários, o fato é que a entrada dos sindicalistas na política é impulsionada pelas próprias entidades de classe, que anseiam cada vez mais por representantes no Legislativo. Em Cuiabá, diversos sindicalistas estão na disputa por uma vaga na Casa de Leis. Um deles é a professora Helena Maria Bortolo (PSB). Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso em Cuiabá (Sintep/Cuiabá) por duas gestões, ela vê com naturalidade a possibilidade de concorrer a um cargo eletivo depois de anos atuando como sindicalista. Não entrei para o sindicato pensando em me eleger vereadora. A opção de ser candidata surgiu como possibilidade de ampliação da luta por um ensino público de melhor qualidade. Não é a primeira vez que Helena tenta uma vaga na Câmara Municipal. Ela também concorreu nos anos de 2004 e 2008. Sua colega de Sintep, só que em Várzea Grande, Maria Aparecida Cortez também foi presidente do Sintep local e, agora, tenta uma vaga na Câmara. Representando o segmento da segurança pública, o investigador da Polícia Civil Cledison Gonçalves (PTB) é outro sindicalista a concorrer nestas eleições. Ele foi presidente do Sindicato dos Investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso (Siagespoc) e já é um veterano nas disputas eleitorais, tendo concorrido uma vez para deputado estadual e outras duas para vereador. A atuação como sindicalista com certeza deu uma projeção para o meu nome e não vejo nenhum problema nisso, pois tenho propostas sérias. Problema é quando o candidato não tem proposta e empurra sua candidatura goela abaixo do cidadão usando o poder econômico, afirmou. Ele espera surpreender os barões nestas eleições, pelo fato do seu nome já estar mais conhecido. Outro candidato a vereador que veio do sindicalismo é Arilson da Silva (PT). Ex-presidente do Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos Bancários de Mato Grosso (Seeb/MT), ele se notabilizou por comandar uma série de greves na categoria nos últimos anos. A representação jamais teve outro objeto senão lutar pelos trabalhadores. A verdade é essa. Segundo ele, liderar a entidade foi uma preparação enquanto pessoa para novos desafios, como concorrer a um cargo eletivo. Arilson ainda enfatiza que as suas propostas não se restringem à classe dos bancários apenas. Temos dialogado, inclusive, com diversas outras categorias organizadas e não-organizadas.