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Primeira Página
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010, 23h:21

OPERAÇÃO JURUPARI

PF prende 64 pessoas por crime ambiental

Um total de 91 mandados de prisão e a mesma quantidade de busca e apreensão foi expedido pela Justiça Federal de Mato Grosso

ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
Uma grande operação da Polícia Federal, realizada ontem, resultou na prisão de 64 pessoas acusadas de participação em um esquema de fraudes em processos de manejos e outros crimes ambientais na região amazônica mato-grossense. Os 91 mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Julier Sebastião da Silva, titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Entre os presos estão a coordenadora da Sala da Mulher da Assembleia Legislativa, Janete Gomes Riva, esposa do presidente da Casa, deputado estadual José Riva (PP). Ela é dona da fazenda Paineiras, em Juara, uma das propriedades investigadas. Além dela, também foi preso o ex-secretário de Meio Ambiente, Luís Henrique Daldegan, que atuou no primeiro escalão na administração do ex-governador Blairo Maggi (PR). O ex-deputado federal e conselheiro aposentado do TCE, Ubiratan Spinelli, também foi preso, junto com o seu filho Rodrigo Spinelli. Um genro e um irmão de Riva também estão na lista dos presos. Os deputados Mauro Savi e Eliene Lima também são citados no inquérito policial, ao qual o Diário teve acesso com exclusividade. Escutas telefônicas flagraram os parlamentares articulando a liberação de licenças ambientais. Segundo o inquérito da operação Jurupari, o dano ambiental apontado pela Polícia e pelo Ministério Público Federal (MPF) pode chegar ao valor de R$ 1 bilhão. De acordo com a PF, o esquema baseava-se em fraudes na emissão de plano de manejo com o objetivo de legalizar madeira extraída de áreas ilegais como reservas indígenas e de unidades de conservação. Para isso, as investigações apontaram a participação de engenheiros florestais autônomos, responsáveis pela expedição de laudos técnicos fraudulentos, servidores da Secretaria de Estado o Meio Ambiente (Sema) e dos proprietários de imóveis rurais, além de servidores dos poderes Executivo e Legislativo estaduais. Segundo o delegado Franco Perazzoni, titular da Delegacia de Combate a Crimes Ambientais e contra o Patrimônio Público, durante dois anos de investigações, constatou-se que proprietários rurais contratavam os serviços de engenheiros florestais para a confecção de laudos técnicos fraudulentos de manejo. Depois disso, com a participação de servidores públicos ligados à Sema e outros órgãos governamentais, os empresários conseguiam créditos de manejo e emissão de Guias Florestais (GFs). “Em muitos delas [GFs], os números estavam alterados ou as espécies sequer existiam naquela região. Tudo isso se caracterizava como um meio de ‘esquentar’ madeira”, explicou o delegado. “Esquentar madeira” é uma expressão utilizada para caracterizar a fraude em guias florestais. Ao todo, foram envolvidos servidores do Poder Executivo Estadual e assessores parlamentares, ligados à Assembleia Legislativa. Além de interceptações telefônicas, a quebra de sigilo bancário e fiscal constatou incompatibilidade entre os rendimentos e a movimentação financeira de parte dos envolvidos. “Em um caso ficou comprovado o pagamento de propina no valor de R$ 5 mil para liberação de uma guia florestal”, explicou o delegado responsável.

Edição EDIÇÃO 16965




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