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Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 22h:29

COMUNITÁRIOS

MPE quer lista de líderes em cargos DAS

Ministério Público Eleitoral quer constatar possíveis contratações em massa de lideranças em órgãos públicos do Estado e município

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O Ministério Público Eleitoral (MPE) fará um ‘raio X’ sobre a relação de servidores da prefeitura e do governo do Estado para identificar possíveis contratações em massa de líderes comunitários de bairros da Capital em cargos comissionados, os denominados DAS. Caso isso seja constatado, novas representações por abuso de poder econômico serão movidas junto às Zonas Eleitorais. Para o trabalho de checagem, promotores da Capital aguardam o envio de lista pelas administrações municipal e estadual, em atendimento a requerimento enviado na semana passada pelo MPE. No ofício é determinado o prazo de 10 dias para a remessa da relação de contratados. De acordo com o promotor José Antonio Borges, os dados serão confrontados com informações coletadas junto à União Cuiabana de Associação de Moradores de Bairros (Ucamb). “Vamos cruzar esses dados. Se esse líder foi concursado da prefeitura ou governo, tudo bem, é óbvio. Porém, se eventualmente constatarmos uma contratação maciça dessas pessoas, aí teremos configurado o abuso de poder e tomaremos as medidas cabíveis”, declara o representante do MPE. O alerta vermelho emitido pelo MPE se destina diretamente não apenas a supostos cabos eleitorais pelos bairros da cidade, mas às candidaturas do prefeito Wilson Santos (PSDB) e ainda do empresário Mauro Mendes (PR), que tem como principal incentivador o governador Blairo Maggi (PR). O anúncio das apurações ainda desponta em meio a uma série de representações e decisão já decretadas contra candidatos a prefeito e a vereador na cidade. Na segunda-feira (30), a ressalva foi feita diretamente por promotores a presidentes de diversas associações de bairros da Capital, durante encontro na sede do Ministério Público Estadual. Numa linha paralela de orientação, foram repassadas as informações das práticas permitidas e vedadas durante a campanha, aos moldes da legislação eleitoral. A mensagem central é de que as lideranças comunitárias não sirvam ao propósito de demarcação de ‘currais eleitorais’ pela cidade. Cerca de 50 lideranças participaram da reunião. “Vocês representam a comunidade, mas não são os donos dela. É inconcebível que os votos sejam loteados. As associações de bairro são entidades sem fins lucrativos e partidários. Portanto, não podem impor candidatos”, posicionou o promotor José Antonio Borges durante o evento. Cartilhas, camisetas e adesivos foram distribuídos entre as lideranças. O material também deverá ser entregue a moradores dos diversos bairros da Capital.

Edição EDIÇÃO 16959




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