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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

POLÍTICA
Quarta-feira, 10 de Junho de 2026, 19h:00

SEM TROCA-TROCA

PT rechaça investida de Emanuel Pinheiro para retirar Natasha da disputa ao Governo

Setores petistas demonstram preocupação com articulações de Emanuel Pinheiro junto ao PSD, mas avaliam que candidatura da médica segue respaldada pela direção nacional do partido

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Divulgação
A médica Natasha Slhessarenko, pré-candidata ao governo de MT

As articulações para a eleição de 2026 em Mato Grosso começam a provocar movimentações nos bastidores dos partidos e já geram ruídos entre aliados históricos. Integrantes do PT em Mato Grosso demonstram preocupação com a possibilidade de mudanças nos planos do PSD para a disputa ao Governo do Estado, diante das investidas atribuídas ao ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, para assumir a condição de pré-candidato da legenda ao Palácio Paiaguás.

A apreensão petista surgiu após especulações sobre uma eventual substituição da médica Natasha Slhessarenko, nome que vem sendo trabalhado pelo PSD como principal aposta para a sucessão estadual. Nos bastidores, lideranças do PT avaliam que uma eventual troca poderia comprometer a aliança construída entre os dois partidos para as eleições de 2026.

Segundo interlocutores das duas legendas, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teria reafirmado apoio à pré-candidatura de Natasha e descartado mudanças na estratégia partidária neste momento. A médica, que já aparece em levantamentos de intenção de voto, é considerada uma das apostas do campo de centro-esquerda para ampliar a competitividade do grupo em um estado tradicionalmente identificado com candidaturas de direita.

A proximidade entre PT e PSD em Mato Grosso também está ligada ao cenário nacional. A avaliação de dirigentes petistas é que uma candidatura com perfil moderado pode contribuir para ampliar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um dos estados onde o eleitorado conservador historicamente registra forte predominância.

Nas eleições de 2022, por exemplo, o então presidente Jair Bolsonaro venceu Lula em Mato Grosso tanto no primeiro quanto no segundo turno, consolidando uma tendência observada nas últimas disputas presidenciais. Esse histórico tem levado lideranças petistas a buscar alternativas para ampliar a presença eleitoral do campo progressista no Estado.

Outro fator que fortalece a permanência de Natasha como nome do grupo é sua trajetória política e familiar. Filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, uma das principais lideranças históricas do PT em Mato Grosso, a médica é vista por parte da militância como uma candidatura capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado sem provocar desgastes internos.

Dentro do PT, há também resistência à possibilidade de apoiar candidaturas de políticos que, em momentos anteriores, estiveram entre os principais adversários da legenda. Integrantes mais antigos da sigla defendem que PT e PSD mantenham projetos próprios até uma eventual composição futura, caso a disputa avance para um segundo turno.

Enquanto isso, o cenário para o Governo de Mato Grosso segue em formação. Além da pré-candidatura de Natasha Slhessarenko, aparecem como possíveis concorrentes nomes como o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o senador Wellington Fagundes (PL) e o senador Jayme Campos (União Brasil), formando um quadro que tende a fragmentar o campo conservador.

Nos bastidores, a avaliação é que a divisão entre candidaturas de direita pode abrir espaço para um desempenho mais competitivo de forças de centro e esquerda, embora lideranças políticas reconheçam que ainda é cedo para projeções definitivas.

Por enquanto, a principal preocupação do PT é preservar a aliança construída com o PSD e evitar mudanças que possam comprometer a estratégia traçada para 2026. As definições, porém, devem depender não apenas dos movimentos estaduais, mas também dos arranjos nacionais que começarão a ganhar forma ao longo dos próximos meses.


Edição EDIÇÃO 16967




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