Primeira Página
Quinta-feira, 04 de Março de 2010, 21h:43
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ESCÂNDALO NO TJ
Entidade máxima dos juízes busca resguardar a classe
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
O novo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, José Silvério Gomes, e outros onze desembargadores do TJ tiveram uma audiência, ontem, pela manhã, com o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares Pires. A tônica do encontro foi a reconstrução da imagem do Poder Judiciário do Estado, abalada pela aposentadoria compulsória dos desembargadores Mariano Alonso Travassos, José Tadey Cury e José Ferreira Leite, além de outros sete magistrados. Todos foram acusados de envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos do Tribunal para uma cooperativa de crédito ligada à maçonaria. Também participaram da reunião o presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), Walter Pereira de Souza, e o juiz titular do Juizado Especial Criminal Unificado, Mário Roberto Kono de Oliveira. Não é uma decisão que atinge dez magistrados que irá contaminar todo o Poder Judiciário de Mato Grosso. Não acredito na expressão limpeza do Poder porque ele não foi atingido como um todo, afirmou Mozart Valadares, se referindo à decisão do Conselho Nacional de Justiça. Segundo ele, nenhum dos magistrados aposentados pelo CNJ chegou de procurar a Associação com intuito de buscar respaldo jurídico. Valadares assegurou que, pelo menos, os juízes Antônio Horácio Silva Neto e Juanita Cruz da Silva Clait Duarte são associados à AMB. Em resposta às críticas direcionadas à punição que aposentou os magistrados sem a suspensão dos salários, o presidente da Associação lembrou que eles poderão sofrer nova sanção. O processo foi remetido ao Ministério Público e pode virar ação penal. Dependendo da decisão, eles podem perder a aposentadoria compulsória. O processo não acabou, explicou Valadares. Embora tenha declarado desconhecer o teor do processo que levou o CNJ a aposentar os magistrados, ele afirmou que a AMB não pode apoiar aqueles que usaram a toga para fazer ação criminosa. Ele ratificou que a decisão do CNJ foi um feito histórico e viu com naturalidade a divisão de grupos no Judiciário local. É natural a divisão de grupos em qualquer lugar. Até no Vaticano existe divergência de idéias. Agora, se há guerra interna entre esses grupos, isso não pode ser permitido, avaliou o magistrado. Para o presidente da Amam, Walter Pereira de Souza, o Tribunal de Justiça tem plena condição de recuperar a credibilidade após o episódio. É importante registrar que o Poder Judiciário nunca se furtou de investigar as denúncias, afirmou.