O presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Deucimar Silva (PP), informou ontem que defende voto aberto na sessão que pode custar o mandato do vereador Ralf Leite (PRTB). Em 277 anos do Legislativo cuiabano, o parlamentar de 25 anos pode ser o primeiro na história a perder o mandato por quebra de decoro. Sempre lutei pela transparência na minha gestão e neste momento não posso negar a sociedade o que sempre defendi, disse. A possibilidade de votação aberta gerou uma polêmica sem precedentes no meio político. Isso porque a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá preveem votação aberta ao passo que a Constituição prevê votação fechada em processo de perda de mandato contra deputados federais e senadores. A assessoria jurídica do Legislativo já se manifestou pela votação aberta e entende que não há a possibilidade de abrir brechas jurídicas para Ralf Leite questionar na Justiça uma provável cassação e assim obter nulidade de sentença. Em momento algum a Constituição trata dos vereadores e devemos votar em sessão aberta levando em consideração este entendimento. A Lei Orgânica e o Regimento Interno garantem votação aberta e assim devemos proceder, garante. Deucimar Silva afirma ainda que a Câmara Municipal de Cuiabá enfrenta hoje o primeiro passo para moralização e assim recuperar a credibilidade com a opinião pública. Não tem motivos para o voto ser fechado, a sociedade está descrente com o Legislativo e só vamos recuperar a boa imagem agindo com transparência. MANIFESTAÇÃO O Movimento Cívico de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) promete liderar hoje a partir das 8h30 um ato que culminará na lavagem da calçada da sede do Legislativo. A manifestação é um repúdio às informações divulgadas na imprensa que apontam desvio de mais de R$ 14 milhões dos cofres do Parlamento somente na última década. Em apoio às medidas de Deucimar Silva, o coordenador do MCCE, Antônio Cavalcante Filho, o Ceará presenteou o presidente do Legislativo com uma ratoeira que continha o valor de R$ 4. É para mostrar que o lugar de político pedófilo e que bate em mulher e que desvia dinheiro público deve ser um só: a cadeia, justifica.