Numa votação que durou menos de um minuto, o Conselho Seccional da OAB barrou a proposta do advogado Renato Nery para a eleição direta para a composição da lista sêxtupla para a vaga de desembargador do Tribunal de Justiça pelo Quinto Constitucional. A oposição acusa o presidente da Ordem, Francisco Faiad, de manobra para evitar a discussão. O advogado Bruno Boaventura foi impedido de fazer a sustentação oral. A eleição direta para a escolha da lista sêxtupla constava no item 15 da pauta da reunião do Conselho Seccional, no entanto, foi colocado como prioridade. O advogado Paulo Taques, indicado por Nery para fazer a defesa no Conselho, estuda ingressar com um mandado de segurança para assegurar o direito à ampla defesa. Nery, um dos líderes do movimento Direta Já, se encontrava na manhã de ontem na Bolívia. Alguns dos profissionais integrantes do Conselho, ainda se acomodando nos seus devidos lugares, ficaram sem entender que a votação havia sido concluída, em questão de segundos. O argumento de Faiad para impedir a votação oral foi de que, pelo regimento interno, um advogado não pode falar pelo outro por procuração. O advogado não faz outra coisa senão defender por meio de procuração, justificou Bruno Boaventura, um dos integrantes do movimento atentou à troca da discussão da pauta no Conselho Seccional. Foi uma manobra covarde. Desde ontem (anteontem) falei que viria aqui para falar em nome de Nery. Muitos conselheiros nem entenderam que a votação foi concluída, advertiu Taques. Há aproximadamente foi aberta a vaga de desembargador com a aposentadoria compulsória de Munir Feguri, na vaga destinada ao Quinto Constitucional. As inscrições para os advogados interessados se estenderão até o dia 9 próximo. O Conselho Seccional da OAB define a lista sêxtupla que será encaminhada para o Tribunal de Justiça para indicar a lista tríplice que será encaminhada para o governador do Estado fazer a nomeação de um deles. O movimento Diretas Já pretende que a eleição para a formação da lista sêxtupla possa contar com a participação de cerca de 12 mil advogados inscritos na OAB. Para disputar a vaga, é exigido notório saber jurídico e reputação ilibada, além de mais de dez anos de atividade. A cada cinco vagas abertas para desembargadores, uma é reservada ao Ministério Público e outra à OAB, alternadamente.