O Parque Novo Mato Grosso, uma obra de lazer que, para muitos, é "megalomaníaca", entrou no radar das eleições de outubro próximo.
O senador Wellington Fagundes (PL), candidato da direita ao Governo, por exemplo, disse que, se for eleito, vai paralisar as obras. Ele defendeu uma uma atuação mais proativa do Estado em setores considerados essenciais, como Saúde e Segurança Pública.
Bastou essa declaração para despertar a ira do ex-governador Mauro Mendes (União), bem como do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
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Curiosamente, ao fazer a defesa intransigentes do projeto - também apelidado de "Parque dos Milionários -, que começou a ser executado em sua gestão, Mauro não falou sobre as centenas de pessoas que morrem nas filas por falta de atendimento médico ou medicamentos; sobre as vítimas de feminicídios e de violência sexual que colocam Mato Grosso como líder deste tipo de crime no ranking nacional.
Também não citou os crimes ambientais, como o desmatamento ilegal, citados pelos Estados Unidos como argumento para investigações comerciais e para decretar aumento na taxação de impostos de importações. Afinal, a produção agropecuária, principalmente em Mato Grosso, em terras desmatadas, confere aos produtos brasileiros uma vantagem competitiva injusta, prejudicando a concorrência com o mercado agrícola norte-americano.
O senador Jayme Campos (União), pré-candidato ao Governo, tem-se manifestado contrário ao montante gasto - em torno de R$ 1 bilhão. Ele sinalizou que, se for eleito, vai concluir a obra e fazer uma auditoria para saber a realidade sobre os recursos aplicados e, principalmente, como tratar o espaço, para que sua exploração seja racional e voltada à população de forma gratuita, "e não como exploração por terceiros, visando o enriquecimento alheio".
“É muito interessante ver as manifestações favoráveis à obra e ao parque, vindo de pessoas que vivem reconhecidamente da exploração imobiliária, da realização de shows e de faturamento fácil. Por isso, a necessidade de se fazerem levantamentos e apurar a verdade real dos fatos”, disse o parlamentar.
A deputada estadual Janaina Riva (MDB), pré-candidata ao Senado, contrariando o sogro, Wellington Fagundes, defendeu a conclusão das obras, diante do "gigantesco investimento já feito". Mas, defendeu que é fundamental que ser realize uma completa auditoria, em todos os dados das obras, desde a doação da área até a aplicação dos recursos públicos.
"Não concordo em parar nenhuma obra. Lembra o ditado popular que diz que ''casou com a viúva, leva os filhos juntos'. Temos um Estado com grandes investimentos em diversos segmentos e, na minha opinião, temos que trabalhar para que todas essas ações com investimentos públicos sejam entregues”, disse a parlamentar, que é presidente regional do MDB.
Ela completou observando que concluir e entregar as obras em benefício da população não quer dizer que elas não possam ser auditadas, fiscalizadas; que não possa haver, depois disso, uma verificação em relação ao custo-benefício e à transparência do dinheiro público que foi aplicado.
O assunto ganhou tanta repercussão que o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), aproveitou, pegou carona e abriu a caixa de ferramentas, principalmente contra Mauro Mendes e Otaviano Pivetta.
Nas redes sociais, ele exibiu uma montagem do ex e do atual governador em frente às obras paralisadas do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), que o atual Governo substituiu pelo BRT (Bus Rapid Transit) e, que, no entanto, não saiu do papel.
Vale lembrar que, recentemente, o presidente Lula (PT), em visita a Salvador (BA), inaugurour o VLT com vagões comprados de Mato Grosso. As obras desse modal de transporte urbano em Cuiabá deveriam estar prontas em 2014, na Copa do Mundo.
Em seu Instagram, Emanuel Pinheiro (PSD) lembrou que o senador WF foi atacado "de todos os lados" e colocou uma fala do deputado Diego Guimarães (Republicanos), ao lado do governador Otaviano Pivetta, durante a inauguração da sede do Partido Republicanos, relatando que havia "um candidato ao Governo falando em paralisar obras, quando a realidade do atual Governo é de fazimento".
“Quem são vocês para falar sobre paralisação ou continuidade de obras em Mato Grosso?”, questionou o ex-prefeito.
“Olha o que está acontecendo aqui? A vergonha do VLT/BRT, um tapa na cara da população das duas maiores cidades do Estado. VLT para o povo usar pode parar, acabar com tudo... Parque dos bilionários não pode parar. Está errado. É um absurdo! Quanta hipocrisia!", completou.
Na sequência, ele afirma: “Se eu concordo com a paralisação dessa obra? Não concordo! Agora, a Inês é morta [ou seja, já é tarde demais não há mais como reverter a situação], pois já se gastou muito, muito dinheiro nesse lugar. Agora, tem que finalizar a obra”.
“O que me chama a atenção é Mauro Master, o Pivetta e sua turma estarem indignados com a fala de Wellington Fagundes. Logo quem está indignado com uma possível paralisação de obras... Mas, Emanuel, o que você faria se fosse governador?”, questiona o ex-prefeito, simulando o que seria uma pergunta, durante entrevista.
Em sua resposta, ele defende, primeiramente, uma auditoria "bem pesada" nos valores gastos e que "realmente são muito altos". Cita mais de R$ 1 bilhão nas obras do Parque Novo Mato Grosso e que Mauro Mendes diz ter ficado mais barato que a Arena Pantanal.
Mais adiante, Emanuel assinala que, depois passaria um "pente fino nas empresas amiguinhas do rei" e abriria o processo de responsabilização dos gestores.
No tocante à obra, ele observa que seguiria com a execução para "entregá-la ao seu legítimo dono, o povo que paga muito caro por tudo isso. Simples assim".
A obra do Parque Novo Mato Grosso, que vai ganhar mais holofotes com a proximidade da campanha eleitoral, foi ainda palco de um acidente que ganhou diversas postagens. No fim de semana, antes da disputa pela Fórmula Truck, durante um "desfile" de carros de luxo, um Tesla perdeu o controle e colidiu com uma Ferrari avaliada em R$ 4 milhões.
O PARQUE - O projeto do Governo do Estado aponta o Parque Novo Mato Grosso como "maior espaço multieventos da América Latina".
Fica localizado a 19 km do centro de Cuiabá, no sentido a Chapada dos Guimarães, pela MT-251.
Com 300 hectares, é um complexo voltado para lazer, esportes, cultura e grandes shows.
Suas principais atrações, de acordo com o projeto, incluem:
· Esporte de Alto Nível: Autódromo internacional, kartódromo de classe mundial e a maior pista de skate da América Latina.
· Entretenimento: Espaço para mega-shows com capacidade para 100 mil pessoas e a estrutura da maior roda-gigante da América Latina.
· Natureza e Lazer: Um enorme lago para esportes aquáticos, 5 km de pista de caminhada e a "Árvore da Vida" (um grande mirante).
· Cultura: Abriga espaços como o Museu do Povo Mato-Grossense, o Museu de História Natural e a Vila das Nações.
A entrada para o parque costuma ser gratuita, funcionando como um grande centro de convivência e polo de turismo.
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