A posição do historiador não é acompanhada pelo cientista político Marcos Almeida, que acredita num possível aumento da corrupção diante do voto facultativo. O número de eleitores pode ser controlado pelos corruptores. Em substituição à compra de votos, podemos ter a compra da ausência, sendo controlada pelos que praticam a corrupção. Almeida acredita que políticos corruptos poderiam dar dinheiro para grupos de eleitores não comparecerem às urnas e votar nos adversários. O eleitor tem liberdade de escolha. Hoje, ele não é obrigado a definir seu voto mas apenas em comparecer. O voto é uma obrigação da vida civil, complementa. A adoção do voto facultativo deve passar por uma série de discussões com diferentes segmentos da sociedade. É o que defende aqueles que são favoráveis ao sistema. Tem que abrir discussões com diferentes segmentos da sociedade. Universidades, associações de moradores, sindicatos e a mídia devem se envolver em debates sobre participação política, significado do voto e temas afins para chegar às melhores conclusões, opina Bruno Rodrigues. O caminho para a definição do fim da obrigatoriedade do voto ainda será longo no Congresso Nacional. Como se trata de alteração na Carta Magna, a PEC 28/08 precisa, caso seja aprovada também na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da aprovação em plenário de pelo menos 49 senadores em dois turnos, para depois ser remetida a CCJ da Câmara. Analisada pelo colegiado, a proposição teria de ser examinada por uma comissão especial antes de ser submetida aos deputados em plenário, em dois turnos de votação. São necessários pelo menos 308 votos (3/5 dos 513 deputados). Caso seja alterada na Câmara, a matéria terá de voltar ao Senado. (RF)