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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011, 21h:55

ALTO PARAGUAI

Câmara não investigará vereadores

Apesar das gravações e prisões efetuadas pela Polícia Civil na operação Alcaide, a Câmara Municipal de Alto Paraguai (218 quilômetros de Cuiabá) não abrirá nenhum procedimento contra os cinco vereadores acusados de cobrar propina do prefeito Aldair José Alves Moreira (PMDB). O futuro dos parlamentares, informa um dos poucos vereadores não-presos, será definido somente pela Justiça. A detenção aconteceu no dia 1º de junho, após os fortes indícios de que os vereadores exigiram R$ 2,5 mil por mês (R$ 500 para cada) para não afastar o prefeito do segundo município mais pobre de Mato Grosso. Na última sexta-feira, dia 10, aconteceu a primeira sessão após a prisão – as sessões no município ocorrem a cada 15 dias. Segundo o vereador Júlio Magalhães (PTB), não foi aberta nenhuma comissão para analisar o caso. “Foi tudo normal. Foi uma sessão normal”, disse, lembrando que, sequer, “tocaram” no assunto. Magalhães afirmou que os quatro vereadores que não foram detidos vão deixar “para a Justiça resolver”. “Não vou me envolver nisso”, destacou o parlamentar. De acordo com ele, a situação continuará o que era, mesmo a população ainda comentando nas ruas sobre as prisões. O prefeito Adair Moreira, que sofreu dois afastamentos pela Câmara, foi procurado pela reportagem ontem. Na primeira tentativa, confirmou o retorno dos vereadores, mas que estava em uma reunião e pediu que ligasse mais tarde. Na segunda tentativa, o telefone estava desligado. A Delegacia Fazendária prendeu o presidente da Câmara, Jason Alves de Souza, e os vereadores Gilbert de Souza Lima, Milton de Campos Luz, Aluísio Carvalho Júnior e Valdecy de Almeida Chagas. Com base em gravações autorizadas pela Justiça, os policiais verificaram que cinco dos nove vereadores participavam do esquema. Também foi preso o ex-prefeito de Alto Paraguai e irmão do presidente da Câmara, Alcenor Alves. O crime foi descoberto após o prefeito Adair Moreira denunciar ao Ministério Público Estadual os pedidos de propina para, inicialmente, aprovação de projetos e, depois, para não retirá-lo do cargo. Cerca de dois dias depois da prisão, eles foram liberados pelos delegados para responder em liberdade ao inquérito policial. Durante o período de detenção, ficaram na Penitenciária Central do Estado. Assim, podem responder pelos crimes de extorsão, corrupção passiva, formação de quadrilha e peculato (apropriação indevida de bens públicos). Um dos vereadores, Gilbert de Souza Lima, que foi relator da última comissão processante que afastou o prefeito, foi procurado ontem à tarde. No entanto, ele não foi localizado para se manifestar. (FD)

Edição EDIÇÃO 16959




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