Na avaliação do cientista político João Edisom de Souza, o desafio de Taques será a busca do apoio popular para conseguir aprovação em tempo célere no Congresso Nacional. O estudioso afirma que, em princípio, a medida parece simples, mas atinge desde a nomeação de um assessor para cargo de confiança até a escolha de um ministro de Estado, o que vai provocar a reação de setores mais conservadores da classe política. Muitos políticos sobrevivem com o grupo de ficha suja que os mantém no poder e vão trabalhar para retardar essa aprovação. A proposta de estender a Ficha Limpa aos servidores comissionados vai ter um impacto superior ao ato político porque envolve toda a máquina administrativa. É necessária a movimentação das entidades de classe e setores da sociedade civil para pressionar o Parlamento a garantir a aprovação. João Edisom sai em defesa da proposta. É uma necessidade para melhorar a prestação dos serviços públicos. Defendo que o agente público, para ocupar o cargo, deve preencher os requisitos da lei. O militante do Movimento Cívico de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), advogado Vilson Nery, compartilha a mesma linha de pensamento. O Congresso Nacional precisa de pressão da opinião pública para aprovar essa medida. Inicialmente, a proposta de ficha limpa ganhou força com apoio da Igreja Católica, OAB e AMB [Associação dos Magistrados Brasileiros]. Esta mobilização tem que se repetir agora também. (RC)