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POLÍCIA
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011, 21h:32

CASO ADRIANO

Vigia se entrega e alega discriminação

Alexsandro de Farias, que confessou à polícia ter assassinado empresário, justificou atitude por ser discriminado e xingado pela vítima no banco

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O vigia Alexsandro Abílio de Farias, de 23 anos, apresentou-se ontem à polícia e alegou que foi discriminado pelo empresário Adriano Henrique Maryssael de Campos, morto com tiros aos 73 anos, há uma semana, dentro da agência bancária do Itaú da avenida Carmindo de Campos. Ele relatou que estava sendo vítima de discriminação por parte do empresário, que era cliente da agência, e sempre era insultado. O motivo era a porta giratória onde a vítima ficava retida. Segundo o delegado Antônio Carlos Garcia, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o vigia queixou-se que fez diversas reclamações à gerência do banco, tanto pelo problema da porta como também por parte do empresário, que o taxava de “preguiçoso” e “lento”, quando a porta travava. No dia do crime, a porta travou e houve insultos por parte do empresário, conforme o vigia. Na saída, Adriano teria sido insultado com nomes como “preguiçoso” e “preto”. O vigia, então sacou o revólver calibre 38 usado no trabalho e atirou três vezes atingindo o rosto e as costas do empresário. Adriano morreu no local, ao entrar na porta giratória. No entendimento do delegado, houve premeditação do crime, uma vez que o vigia esperou que a vítima se preparasse para sair e, quando entrou na porta giratória, ele atirou. “Não houve nada de espontâneo”, lembrou. Garcia frisou que tudo isso não justifica o assassinato, pois o problema poderia ser solucionado de outra forma. “De maneira alguma (o vigia agiu da forma correta)”, destacou. Com a apresentação espontânea, o vigia saiu indiciado da delegacia, mas vai responder pelo crime em liberdade. O delegado acrescentou que nada impede que a Justiça decrete a prisão preventiva dele, tanto no curso das investigações, como também quando se tornar processo criminal. “A prisão preventiva poderá ser decretada a qualquer momento, desde que seja necessária”, complementou. Por enquanto, o vigia responde em liberdade. O delegado deverá ouvir ainda várias testemunhas, inclusive as citadas pelo vigia e as que presenciaram o assassinato, ocorrido na parte da manhã. Além do crime de homicídio, o vigia praticou o roubo de uma motocicleta, utilizada para fugir do local. O empresário foi assassinado quando tentava sair da agência do Itaú. Imagens do circuito interno mostram ele apontando o dedo para alguém, mas no momento em que entrava no banco, e não há cenas de discussão com qualquer pessoa. O crime aconteceu no último dia 21, por volta das 11h30. O vigilante, após os disparos, fugiu em uma moto roubada. Adriano era proprietário de um restaurante que levava o seu nome. O estabelecimento, especializado em comida italiana, fica na avenida Getúlio Vargas e é um dos mais tradicionais da cidade, que ainda está de portas fechadas.

Edição EDIÇÃO 16959




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