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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 27 de Junho de 2009, 13h:03

TRÂNSITO

Viabilidade de metrô é questionada

Alto investimento para instalar VLT ou monotrilho na Capital e tornar o tráfego mais ágil põe em xeque a capacidade da população em pagar por serviço

KEITY ROMA
Da Reportagem
Passada a euforia das primeiras ideias de implantação de um metrô de superfície em Cuiabá, questiona-se agora se o preço da modernidade cabe no bolso da população cuiabana. As opiniões de autoridades sobre a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou do Monotrilho na região metropolitana são divergentes. Para avaliar a viabilidade econômica do projeto, o comitê organizador da Copa de 2014 do governo do Estado está negociando a realização de um estudo técnico pela empresa Deloitte nas próximas semanas, na Capital. “O metrô de superfície é uma vanguarda, mas eu preciso saber da contabilidade. Será que o povo cuiabano tem condições financeiras de pagar a tarifa de um investimento desse porte, que pode custar entre 34 a 140 milhões de reais por quilômetro, fora o custo do vagão?”, questiona descrente o secretário municipal de Trânsito e Transportes, Edivá Alves. Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) elaborado em 2005 revelou que 30% da população não tinham acesso ao transporte público devido ao preço da tarifa. Cada vez que os empresários do transporte sinalizam um reajuste no valor da passagem de ônibus, trava-se uma batalha entre usuários e o setor. A briga judicial para a majoração de R$ 2,05 para R$ 2,30 tramita no Tribunal de Justiça há pelo menos um mês. Dados da Secretaria Municipal de Transito e Transportes Urbanos (SMTU) apontam que seis milhões de passagens são recolhidas nos ônibus de Cuiabá por mês, sendo que 1,5 milhão são relativas a viagens gratuitas, como, por exemplo, para estudantes e idosos. “Se o valor do ônibus cobrado hoje já é considerado alto para a renda per capita do cuiabano, não sei como seria com o metrô. A tarifa integrada seria uma alternativa. Contudo, uma passagem de R$ 1 não deve ser viável para quem investe milhões nesse tipo de projeto e ainda precisa manter a estrutura do metrô”, pondera o secretário. A integração das tarifas do ônibus e do metrô seria uma possibilidade de tornar o valor mais baixo, pois, para o projeto ter eficácia, os ônibus funcionariam como transporte intermediário dos bairros até os terminais do metrô de superfície, que ficariam em pontos centrais estratégicos. Para que a idéia dê certo é necessário que se tenha um serviço de transporte por ônibus que funcione de maneira satisfatória, proporcionando rapidez ao usuário e reduzindo o congestionamento nas principais vias públicas da cidade. A Associação dos Usuários do Transporte de Mato Grosso (Assut) aposta no metrô de superfície como a única saída para os problemas de trânsito e transporte na Capital. “O que falta não é dinheiro para fazer o projeto, mas tudo depende da vontade política”, diz o especialista em Logística Automatizada da Assut, o belga Jean Van Den Haute. Para a entidade, instalar o metrô em Cuiabá passa por dois pontos. O primeiro é a reelaboração das linhas de ônibus alimentadoras, que em um traçado básico da Assut seriam nove na Capital e em Várzea Grande. “Se faz necessária a elaboração do Plano Setorial de Mobilidade Urbana para os dois municípios de maneira integrada, que possibilitará a implantação do metrô de superfície”, falz Haute. O belga defende que, sem projetos de alto padrão devidamente estruturados e pautado em garantias legais, empresários não irão se dispor a investir na ideia que pode custar bilhões. “Veja o que aconteceu com o gasoduto na Bolívia. Investiu-se sem garantias e o Brasil foi expulso de lá. Nenhum empresário do mundo faz mais aplicações sem ter garantias”, comenta. Já sobre o preço da tarifa, Haute é otimista. “Hoje os empresários choram por causa da tarifa de R$ 2,30 e acredito que o custo do ônibus seja alto, mas porque é tudo desorganizado. Linhas se sobrepõem, veículos velhos quebram muito e nada disso é melhorado. Fora isso, Cuiabá e Várzea Grande têm quatro sistemas, os dois municipais, o alternativo e o intermunicipal, o que é um absurdo em uma região metropolitana”. O especialista defende que a racionalização do transporte reduziria desperdícios e possibilitaria uma tarifa de R$ 1,60 para o ônibus. “O custo do metrô é quatro vezes mais baixo que do ônibus, o que propiciará a passagem a preço acessível”, defende Haute.

Edição EDIÇÃO 16959




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