POLÍCIA
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010, 08h:53
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SISTEMA FRÁGIL
Preso é liberado sem cumprir temporária
Mesmo com a prisão temporária decretada para o cumprimento por 30 dias, o latrocida José Maria dos Santos, de 29 anos, passou apenas 14 dias na prisão e foi, inexplicavelmente, liberado duas semanas antes sem qualquer medida judicial que justificasse sua soltura. Ele confessou o roubo e a morte do mototaxista Flávio Eduardo Junges, aos 22 anos. O crime ocorreu em junho do ano passado. O acusado estava no Presídio Central do Estado (antigo Pascoal Ramos). O Sistema Prisional de Mato Grosso confirmou a irregularidade e informou que será aberto um processo administrativo para apurar a soltura de José Maria. Segundo o delegado Gianmarco Pacola, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (Derrf) de Várzea Grande, foram sete meses de investigação até chegar aos dois autores do latrocínio. Foi um crime em que a vítima foi amarrada numa árvore e executada aos poucos, ou seja, torturada. Tudo para roubar uma motocicleta, explicou. O delegado lembrou que nos sete meses de investigação os policiais chegaram a ser chamados na Corregedoria Geral da Polícia Civil. A pista principal que levou até José Maria foi a localização, em Tangará da Serra (a 230 quilômetros de Cuiabá), da motocicleta roubada. A partir daí, os policiais chegaram aos autores. No dia 3 de fevereiro, José Maria foi preso em Tangará e transferido para Várzea Grande. Interrogado na delegacia, ele foi levado a Penitenciária Central do Estado no dia 11 de fevereiro. Lá ele ficaria até dia 5 de março. Anteontem, os policiais foram até a unidade prisional para ouvi-lo novamente, mas descobriram que ele foi colocado em liberdade. Os pais do mototaxista, ao serem informados da irregularidade, ficaram indignados. É um absurdo. Não temos como dizer outra coisa, queixou-se o pai Dirceu Junges, que foi até a delegacia para saber o que tinha ocorrido. Segundo o delegado, não existe ainda uma explicação plausível, uma vez que iria solicitar a prisão preventiva dele, pois se trata de um latrocínio, que é crime hediondo e prevê uma pena mínima de 20 anos e uma máxima de 30. Flávio Eduardo foi amarrado numa árvore e espancado até a morte. O crime ocorreu no dia 24 de junho, na localidade do Formigueiro, em Várzea Grande. A vítima teve a cabeça arrebentada pelos golpes. Em seguida, os dois criminosos fugiram na motocicleta da vítima. Segundo o delegado, os dois criminosos planejaram matar a vítima para roubar a motocicleta. Chegaram a simular uma corrida do bairro Mapim até Poconé (a 100 quilômetros). Foram duas vezes. Na primeira tentativa, havia uma barreira da Polícia Militar e desistiram. O José Maria chegou a esperar no local. Na segunda, conseguiram praticar o latrocínio, explicou o delegado. Em nota, o Sistema Prisional de Mato Grosso informou que será aberto um processo administrativo para apurar a soltura irregular do reeducando José Maria dos Santos. Será apurado quem determinou a liberdade do preso e o porquê da liberação. O prazo para o término dos trabalhos é de 45 dias e poderá ser prorrogado por igual período. Conforme o Sistema Prisional, caso seja comprovado algum ato irregular, os responsáveis serão penalizados civil e criminalmente. (AR)