POLÍCIA
Quarta-feira, 25 de Março de 2009, 20h:47
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TESTEMUNHO INDESEJADO
Militar é preso, acusado de homicídio
A vítima do atentado testemunhou o assassinato de um comerciante; se contasse à Polícia, seu depoimento complicaria a vida do soldado PM Valdecy
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O soldado PM Valdecy Ribeiro de Ataídes, de 35 anos, foi preso em flagrante sob a acusação de tentar assassinar o estudante de enfermagem Jassan Tiago Rosa Jorge, de 30, baleado com quatro tiros, que o atingiram no rosto e no braço. Depois do atentado, o acusado ainda foi visto no Pronto-socorro de Cuiabá (PSC) por familiares da vítima, que temeram a ocorrência de outra agressão e acionaram os PMs que fazem plantão no local. O militar estava com uma pistola de uso exclusivo em serviço. A tentativa de homicídio ocorreu anteontem, por volta das 20 horas, no bairro Cidade Alta. O estudante ferido foi levado ao PSC, onde passou pelo box de emergência e ficou em observação. O motivo do crime seria devido ao fato do estudante ter testemunhado o assassinato do comerciante Agnaldo de Oliveira Prado, de 40, ocorrido no início de fevereiro, no Jardim Mariana, em Cuiabá. Era para eu ficar quieto, não falar nada (sobre o assassinato), disse o estudante em seu depoimento. No depoimento que prestou, a vítima aponta o militar como um dos participantes do crime, a mando de um traficante com quem o garagista comercializava veículos usados. Ele (o traficante) é suspeito de ser o mandante, mas faltava quem executasse, disse um policial da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em seu relato ao delegado plantonista da Delegacia do Complexo do Verdão, ele disse que estava comendo espetinho próximo a uma drogaria quando, em dado momento, apareceu o militar e fez uma ligação por celular. Em seguida, apareceu no local um rapaz conhecido como Rogério Pipa, pilotando uma motocicleta Honda CG 150, acompanhado de mais três rapazes. De repente, sem nenhum aviso, o policial reapareceu no local acompanhado de um cúmplice e atirou quatro vezes contra Jassan, acertando todos os disparos. O estudante foi levado ao PSC e passou pelo box de emergência. A mãe dele, professora Dirce Rosa, disse que desconfiou do PM no Pronto-socorro porque ele estava de boné. Tanto ela quanto o filho reconheceram o militar como autor da tentativa de homicídio e pediram ajuda aos militares que estavam no PSC. Meu filho está sendo vítima de um crime de execução. Ele mora em Goiânia, onde estuda enfermagem. Está desde fevereiro me visitando e estava pronto para ir embora. Desse jeito, deve mesmo se mudar para outro Estado. Não vai ficar mais aqui, assegurou. Ela acrescentou que o militar agiu em companhia de Rogério Pipa que, pelas características dos dois pistoleiros que executaram Agnaldo, possui a mesma característica do autor dos disparos. Agnaldo foi executado na área da casa da ex-esposa, no dia 1º de fevereiro. Testemunhas disseram que dois ocupantes de uma motocicleta escura chegaram ao local e que um rapaz alto foi quem desceu da moto e disparou os tiros. Na Delegacia do Complexo do Verdão, o militar negou a participação no crime. Explicou que foi até o Pronto-socorro porque conhecia a vítima. Não mais do que isso.