Mesmo após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central ter cortado a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), o Brasil assumiu a primeira posição no ranking mundial de taxas de juros reais. No último levantamento, em abril, a Rússia estava na frente.
A taxa básica de juros foi fixada em 14,25% em termos nominais. Assim, considerando a expectativa de inflação, o Brasil tem uma taxa de juros real de 9,67% ao ano, segundo levantamento do Portal MoneYou e da Lev Intelligence divulgado nesta terça (16).
No ranking, calcula-se o juro real ex ante, que desconta da taxa de mercado (no caso brasileiro, o DI de um ano, com vencimento em junho de 2027) a expectativa de inflação para os próximos 12 meses, coletada pelo boletim Focus, do Banco Central, de 4,31%.
Essa métrica é preferida por economistas por refletir o retorno esperado por um investidor que aplica recursos no país por um ano, diferentemente do juro real ex post, que usa a inflação que já passou.
O Brasil e a Rússia, primeiro e segundo lugar, respectivamente, têm taxas reais próximas e estão descolados dos outros países. A média estatística dos 40 países analisados é de 1,649%.
Poucas nações (além dos dois primeiros colocados, Turquia e México) ficam acima da média mais o desvio-padrão, ou seja, valores ainda dentro da faixa considerada típica ou esperada para o conjunto de dados.
A consultoria afirma em texto que, por causa do cenário adverso e indefinido no conflito no Oriente Médio, as perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking.
Uma das consequências é que a expectativa de inflação aumentou em diversos países e, por isso, a taxa de juros real baixou. Seis países (Nova Zelândia, Taiwan, Filipinas, Suíça, Argentina e Japão) agora têm juro negativo.
Adriana Dupita, economista da Bloomberg, afirma que, para o país, trata-se de uma métrica do aperto monetário, ou seja, se a política monetária é restritiva. Do ponto de vista do investidor, ela diz, o importante é a taxa de retorno real (ou seja, descontada a inflação). Por isso se olha para a métrica do juro ex ante.
Para ela, o indicador é mais preciso para medir a atratividade de investimentos em renda fixa do que analisar a retrospectiva da inflação passada.
Dupita afirma, no entanto, que o indicador mais completo para um investidor estrangeiro seria o chamado carry -o retorno líquido em dólares após descontar a expectativa de desvalorização da moeda local.
Em termos nominais, o Brasil segue na quarta posição, com Selic de 14,25% ao ano, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14,50%). A liderança no ranking real, portanto, não decorre apenas do nível absoluto dos juros nominais, mas da combinação entre taxa elevada e expectativas de inflação relativamente estáveis frente às de países como Turquia e Argentina.
O levantamento cobre 40 economias e utiliza, para cada país, a taxa de juros de mercado no vencimento mais líquido a 12 meses e a inflação projetada pelas respectivas autoridades econômicas.




