Ao menos 31 infratores do Bloco A do Complexo do Pomeri se rebelaram anteontem à tarde, após fazerem uma trincheira com colchões na entrada do Bloco E. Em seguida, destruíram as camas de concreto e subiram na laje com pedaços de pedra e arremessaram contra PMs e agentes orientadores. Os policiais usaram balas de borracha e também atiraram para o chão com suas pistolas ponto 40 como forma de acabar com a rebelião. O motim, que começou por volta das 17 horas, só terminou por volta das 21 horas, com a rendição dos garotos. Os infratores estavam revoltados com a nova tela, instalada em cima do pátio que impede o arremesso de objetos de fora para dentro como celulares e entorpecentes. Durante a rebelião, foram disparados 18 tiros de munição antimotim e outra quantia de tiros de pistola de verdade, para o chão, como forma de pressionar os garotos a encerrarem o motim. Conforme os policiais, os garotos, além de destruir as camas das alas, ainda arrancaram a tela de proteção do alto. Os menores faziam ameaças aos policiais e aos agentes orientadores. Gritavam, falavam que iriam matar a família de todo mundo, relatou um dos agentes. Somente com a chegada do chamado grupo de contenção é que a rebelião foi controlada e, com isso, os agentes realizaram uma revista nas celas. Apesar da expectativa, foram encontradas somente pedras retiradas das camas de concretas. Os policiais acreditam que a agilidade na negociação assim como a entrada em ação do grupo de contenção tenha evitado que os garotos ateassem fogo nos colchões, substituídos recentemente, pois os último foram queimados na última tentativa de rebelião. A direção relacionou 10 infratores num boletim de ocorrência e eles poderão responder pelos crimes de ameaça e danos ao patrimônio público. Além disso, deverão ser punidos por cinco dias por indisciplina. Como no Plantão Metropolitano da Capital chegou somente o boletim de ocorrência com os nomes dos suspeitos, o caso passa a ser investigado pela Delegacia Especializada do Adolescente onde o delegado Paulo Alberto Araújo deverá ouvir os garotos e instaurar um termo de ato infracional equivalente ao flagrante. (AR)