POLÍCIA
Terça-feira, 29 de Março de 2011, 20h:10
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CASO GISLENO
Júri é adiado pela 6ª vez em VG
Graças a uma indefinição do Ministério Público Estadual será adiado pela sexta vez o julgamento do delegado aposentado e ex-diretor do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, José Antônio da Silva, pelo assassinato do informante da própria Polícia Civil, Gisleno Lopes Gusmão. A vítima foi executada a tiros no dia 30 de dezembro de 1995, no Jardim dos Ipês, em Várzea Grande. Marcado para começar às 8 horas de hoje pelo Tribunal do Júri da comarca de Várzea Grande, presidido pela juíza Maria Erothides Kneipp Baranjak, o júri teve que ser adiado. É que o novo promotor criminal da 1ª Vara, Alan Sidnei do Ó Souza, veio transferido da comarca de Rondonópolis, mas está em férias. Somente na próxima semana é que o MPE terá uma escala com promotores vindos de outras comarcas para atender o Tribunal do Júri. Os julgamentos marcados para esta semana foram adiados. O delegado seria julgado por homicídio duplamente qualificado motivo torpe e recurso que dificultou a defesa por parte da vítima. A principal testemunha do crime é a companheira do informante, Ana Ricarda da Silva. Ela afirmou, durante as investigações que, o delegado e alguns policiais procuraram seu companheiro minutos antes do crime. Era para ajudar num serviço de investigação de um assalto ocorrido recentemente. A testemunha acrescentou que Gisleno trabalhava para o delegado e José Antônio era o único que ela conhecia. Ela disse que ouviu o diálogo entre a vítima e o delegado. Ana Ricarda acrescentou que Gisleno entrou no Gol cinza ao lado do delegado e os demais policiais, em um Gol branco. Cerca de cinco minutos depois, ela ouviu os disparos. O informante foi executado com dois tiros na cabeça. Para o Ministério Público, o delegado "agiu mediante dissimulação e traição, usando falsas mostras de amizade e a pretexto de realizar uma diligência, atraiu a vítima para um lugar ermo onde consumou o hediondo crime, usando recursos que tornaram impossível a defesa do ex-policial". A ex-esposa de Gisleno, Maria Domitila Pinto Gusmão, declarou em juízo que o informante estava sendo pressionado pelo delegado a executar duas cabeleireiras no bairro Canjica, crimes ocorridos meses antes, num suposto assalto onde nada foi levado. O latrocínio (roubo seguido de morte) que vitimou duas mulheres até hoje não foi esclarecido. Em juízo, o delegado negou a participação no crime, mas confirmou que Gisleno fazia o serviço de informante. Apresentou um álibi confirmando que estava em outro local no dia e hora em que a testemunha o viu com a vítima. Embora informante do SI atual Gerência de Inteligência Policial - da Polícia Civil, Gisleno colaborava com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Na ocasião, o delegado único da DHPP era Olinto Oliveira, hoje aposentado. O delegado acusado não reside mais em Mato Grosso. Desde que se aposentou, foi morar numa cidade no interior de São Paulo. (AR)