MUNDO
Terça-feira, 12 de Novembro de 2013, 21h:24
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EUA/IRÃ
Rejeição a acordo pode levar a guerra
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, rebateu ontem acusação dos Estados Unidos de que Teerã evitou um acordo nuclear
A Casa Branca alertou ontem os congressistas americanos que consideram a aprovação de sanções mais fortes contra o Irã que dificultar a diplomacia pode deixar o presidente Barack Obama sem opções, a não ser o uso da força militar contra o programa nuclear iraniano. "Os americanos não querem ir para a guerra", declarou o porta-voz da Presidência, Jay Carney, aumentando o tom da administração Obama contra os parlamentares que rejeitaram um acordo provisório com Teerã. Carney advertiu que, se os esforços de Obama para resolver a crise nuclear iraniana diplomaticamente falharem, ou forem bloqueados, restarão ao presidente americano poucas opções, entre elas a militar. Alguns congressistas já haviam alertado para o perigo de as novas sanções mencionadas por senadores dos dois partidos no Congresso atrapalharem as negociações de um acordo entre o Irã e os Estados Unidos. "O povo americano, justificadamente e compreensivelmente, prefere uma solução pacífica que impeça o Irã de obter armas nucleares. Se este acordo for alcançado, haverá potencial para isso", garantiu Carney. "A alternativa seria uma ação militar", concluiu. Na mesma linha, o porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, afirmou ontem que o titular da pasta, John Kerry, acredita que seria um "erro" do Congresso impor sanções adicionais ao Irã agora. Psaki afirmou que Kerry, que vai realizar uma reunião a portas fechadas sobre o Irã no Comitê Bancário do Senado na quarta-feira, quer uma "pausa temporária" na imposição de sanções adicionais contra Teerã por parlamentares americanos. NEGA O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, rebateu ontem a acusação dos Estados Unidos de que Teerã evitou um acordo nuclear no fim de semana passado em Genebra e apontou a França como a culpada. O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou na segunda-feira que o Irã não aceitou a proposta apresentada pelas potências do grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, China e Alemanha) em troca de uma flexibilização das sanções internacionais impostas por seu programa nuclear. As grandes potências "estavam unidas no sábado ao apresentar a proposta aos iranianos, mas o Irã não aceitou, neste momento particular não estavam em condições de aceitar", disse Kerry. Em sua conta no Twitter, Zarif rebateu a acusação e fez uma referência ao chanceler francês, Laurent Fabius, criticado pela imprensa iraniana por sua oposição a um possível acordo. "Senhor secretário, por acaso foi o Irã que alterou metade do texto dos americanos na quinta-feira e fez a afirmação contrária na manhã de sexta-feira?", escreveu Zarif.