MUNDO
Terça-feira, 23 de Agosto de 2011, 18h:46
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LÍBIA
Rebeldes devem transferir QG para Trípoli
As forças rebeldes avançam também no leste do país. Eles controlaram o porto de exportação de petróleo de Ras Lanuf e agora avançam rumo a Bin Jawad
Após a tomada do complexo residencial do ditador Muammar Khadafi, os rebeldes líbios anunciaram na noite de ontem que devem transferir o quartel-general da revolução da cidade de Benghazi, no leste do país, para a capital, Trípoli, em até dois dias, segundo informou Ahmed Bani, um dos porta-vozes militares dos insurgentes, à rede de TV Al Jazeera. O anúncio chegou horas após Mahmoud Jibril, um dos líderes do CNT (Conselho Nacional de Transição), o órgão político dos rebeldes, comentar os últimos desdobramentos da revolução no país durante uma entrevista coletiva em Doha, no Qatar, classificando a tomada do complexo residencial do ditador Muammar Khadafi como uma "importante vitória" após seis meses de intensos combates. "A transição começa imediatamente" para a construção de uma "nova Líbia", anunciou. "Construímos agora uma nova Líbia, com todos os líbios como irmãos por uma nação unida, civil e democrática", acrescentou Jibril. O líder agradeceu o apoio do Qatar e dos EUA, que auxiliaram as lutas dos rebeldes com apoio logístico para exportação de petróleo e com ajuda financeira, respectivamente. Mais cedo, o coronel Ahmed Omar Bani, porta-voz militar dos rebeldes em Benghazi, a capital rebelde no leste do país, confirmou à agência de notícias France Presse que os oposicionistas já controlam todo o complexo de Bab al Aziziya, considerado um dos últimos bastiões do regime. No aeroporto internacional de Trípoli, e ao sul da capital, no entanto, ainda há intensos combates entre os rebeldes e forças khadafistas, informa a CNN. Para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Khadafi já é "parte da história" e que o dia de ontem representou uma importante vitória rebelde, embora a comunidade internacional ainda hesite em dar como totalmente vencida a guerra, já que o paradeiro do ditador permanece indeterminado. No Qatar, sinalizando o início de um futuro político pós-Khadafi, Jibril disse que a Alemanha foi um dos primeiros países a adiantar uma linha de financiamento para ajudar o governo rebelde. O líder comentou ainda os controversos relatos de prisão de um dos filhos de Khadafi, Saif al Islam, que anteontem reapareceu em Trípoli e desmentiu ter sido detido pelos insurgentes. Para Jibril a polêmica foi uma tentativa desesperada de Khadafi para obscurecer os êxitos da revolução dos rebeldes.