MUNDO
Terça-feira, 02 de Junho de 2009, 20h:20
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DIPLOMACIA
Posição dos EUA mantém o impasse sobre Cuba na OEA
Decisão norte-americana, inflexível, impediu qualquer acordo sobre a ilha
Os ministros de Relações Exteriores das Américas começaram ontem a buscar um acordo de consenso a fim de abrir caminho para a volta de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA). A posição norte-americana, inflexível, impediu que os negociadores dos 34 Estados presentes não cheguem a um acordo para derrubar a resolução de 1962, que suspendeu os direitos de Cuba na organização. A maioria dos países considera a medida anacrônica, porém não há consenso sobre o que fazer depois disso, nem se deve haver condições para retirar a suspensão. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, manteve firme ontem a posição dos Estados Unidos de vincular a volta de Cuba a reformas democráticas na ilha. Hillary recebeu apoio do Caribe nesse ponto, em mais um indício de que não haverá resolução sobre o eventual retorno do país à OEA, durante a assembleia ministerial em Honduras. A tarefa não parece fácil e inclusive há a possibilidade de que eles terminem afirmando somente que tentaram lidar com o tema, mas esperam por um contexto mais favorável para chegar a avanços. "Sei que foram produzidas algumas discussões a respeito, e espero que tenhamos mais", disse Hillary, referindo-se à possibilidade da volta de Cuba à OEA. "Se trata do futuro e de ser leais aos princípios que fundaram esta organização", completou ela. O chanceler da Jamaica, Kenneth Baugh, falando em nome da Comunidade do Caribe (Caricom), disse: "Definitivamente acreditamos que se trata de uma posição sumamente positiva (a dos EUA)." Em um sinal de que não deve haver resolução sobre Cuba nesta assembleia, Hillary não participará dos dois dias de discussão em San Pedro Sula. Ela parte na noite desta terça-feira para o Cairo, onde se encontrará com a comitiva do presidente Barack Obama.O governo do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, demonstrou temer que Havana ocupe boa parte dos dois dias de discussões, em um ambiente em que a decisão sobre o tema deve ser tomada por consenso. Há a possibilidade de que os ministros despachem rapidamente o caso, com uma declaração de princípios sobre Cuba, para então passar a outros temas. "Não há consenso", admitiu o embaixador do Panamá, Aristides Royo, um dos líderes do grupo de trabalho designado pelos embaixadores da entidade, na semana passada, para harmonizar um texto único de resolução. "Isso ficou nas mãos dos chanceleres." A falta de consenso poderia terminar em votação, já que com dois terços, ou 23 votos, seria possível aprovar uma resolução. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, negou que possa haver votação. "Sempre se procedeu por consenso", lembrou Insulza. "Não creio que a OEA abandone essa tradição, que tem sido muito útil", avaliou.