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MUNDO
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010, 20h:02

ARMAS NUCLEARES

Gates teme arsenal da Coreia do Norte

Secretario de Defesa americano diz que novas instalações nucleares da Coreia do Norte é um risco potencial para o mundo

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou ontem que a nova instalação nuclear descoberta na Coreia do Norte é um risco potencial, já que permite ao regime comunista produzir mais armas nucleares. Os EUA, além do Japão e Coreia do Sul, discutem como lidar com a informação de um cientista nuclear americano que visitou a nova instalação nuclear norte-coreana e descreveu um local altamente sofisticado, com moderna operação de enriquecimento de urânio e 2.000 centrífugas. A Coreia do Norte desenvolve há anos um programa nuclear sob críticas do Ocidente, que já tentou, sem sucesso, negociar sua desnuclearização. O regime recluso do ditador Kim Jong-il sofre ainda diversas sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) por manter seu programa nuclear com fins claramente militares. Gates, que está na Bolívia para uma conferência regional de defesa, disse ainda não acreditar que a nova e avançada instalação norte-coreana seja parte de um programa nuclear pacífico. Pista disso, afirmou Gates, são os mísseis de longo-alcance desenvolvidos pela Coreia do Norte e que poderiam levar as ogivas nucleares. "Uma planta de enriquecimento como esta, assumindo que é o que é, obviamente dá a eles potencial para criar mais", disse Gates, acrescentando que a Coreia do Norte desenvolve um programa nuclear "há muito tempo". "A Coreia do Norte ignorou um número de resoluções do Conselho de Segurança. Eles continuam exportando armas. Então a noção de que eles desenvolveram isso é obviamente uma preocupação", disse Gates. Se a usina fosse para fins civis, questiona ainda, "eles deveriam receber a AIEA", em referência à Agência Internacional de Energia Atômica, que supervisiona o uso de energia nuclear em todo o mundo. Mais cedo, o enviado especial dos EUA à Coreia do Norte, Stephen Bosworth, afirmou que a nova usina não é uma surpresa ou uma crise, mas representa um ato provocativo e desapontador. "Este é obviamente um anúncio desapontador. É também um em uma série de medidas provocativas da Coreia do Norte", disse Bosworth. "Dito isto, esta não é uma crise. Nós não estamos surpresos por isso. Nós acompanhamos e analisamos as aspirações [norte-coreanas] para produzir urânio enriquecido há algum tempo". Ele afirmou ainda que Washington trabalhará junto a seus parceiros regionais para garantir que não haja nenhuma ameaça de Pyongyang. Bosworth participou de uma reunião com representantes da Coreia do Sul e do Japão, que se mostraram mais preocupados com as consequências desta nova instalação na vizinha comunista. O ministro de Defesa da Coreia do Sul afirmou a legisladores nesta segunda-feira que Seul discutirá a possibilidade de trazer armas táticas nucleares dos EUA de volta ao país --como medida preventiva. Já o Japão considerou o assunto "alarmante". "O desenvolvimento nuclear norte-coreano é totalmente inaceitável do ponto de vista da segurança do Japão e da paz e estabilidade na região", disse o porta-voz do governo de Tóquio, Yoshito Sengoku. Especula-se que fez o primeiro teste com uma bomba nuclear em 2006, só poderia ter alcançado este grau de desenvolvimento de suas instalações nucleares de maneira tão rápida com ajuda externa. A nova usina segundo observadores não existia quando os inspetores internacionais foram expulsos do país em abril de 2009. O "NYT" destaca ainda o fato de o regime de Pyongyang, assim como quaisquer potenciais colaboradores externos no setor, terem desacatado as rígidas sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). A Casa Branca já informou os aliados e congressistas sobre as revelações de Hecker, e agora esperando um debate global sobre as descobertas. O presidente americano, Barack Obama, advertiu recentemente que a Coreia do Norte deve demonstrar seriedade antes da possível retomada das negociações multilaterais sobre seu programa nuclear, que incluem as duas Coreias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos.

Edição EDIÇÃO 16959




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