Dominique Strauss-Kahn, 62, ex-diretor do FMI, declarou ser inocente na acusação de sete crimes contra uma camareira do hotel em que estava hospedado em Nova York. Em um tom forte, Strauss-Kahn declarou sua inocência entre seus advogados, Ben Brafman e William W. Taylor. A mulher do ex-diretor, a jornalista Anne Sinclair, estava presente na audiência. DEFESA Os advogados de defesa afirmam acreditar que as evidências do processo sustentam que não houve uma relação forçada. Para eles, há informações que tirariam a credibilidade da vítima, mas não entraram em detalhes. Um grupo de mulheres vestidas de camareira protestava na entrada do Tribunal gritando: "Vergonha!" De acordo com seu depoimento, a camareira teria entrado no quarto do hotel acreditando que ele estava vazio, mas Strauss-Kahn estava no banheiro tomando banho. Ao sair, ele "a cercou por trás e a tocou de maneira inconveniente" e "a obrigou a cometer um ato sexual", alegam. Strauss-Kahn deixou o hotel rapidamente, mas acabou sendo detido a bordo de um avião quando tentava voltar à França. PROVAS Os investigadores dizem ter provas físicas - incluindo um exame médico efetuado imediatamente após a denúncia - que comprovariam a tentativa de estupro. Caso seja declarado culpado, Strauss-Kahn - cuja prisão abalou o Partido Socialista Francês, que pretendia lançá-lo como candidato nas eleições presidenciais de 2012-- pode ser condenado a até 74 anos de prisão. Mas ao se declarar "inocente", deve haver um julgamento nos próximos meses em que a defesa pode tentar convencer o júri de sua inocência. Em Paris, a equipe de Strauss-Kahn buscou ajuda, pelo menos informalmente, de alguns de seus consultores pessoais de longa data filiados ao Euro RSCG, um dos grupos de relações públicas com a melhor rede de contatos da França. Enquanto a empresa negou seu envolvimento, uma fonte próxima à equipe de Strauss-Kahn disse que ao menos alguns dos assessores que trabalharam com Strauss-Kahn no passado estão aconselhando o ex-chefe do FMI novamente, mas de forma discreta.