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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 17 de Setembro de 2011, 12h:20

CRÔNICA

SPA

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Ando enjoado de gostar somente da minha pessoa. Cansando de fazer o que é melhor para mim. Conheço tudo de minha pessoa. Já me encontrei e me perdi diversas vezes. Debrucei nos deslizes por infinitas razões. Sei que sou falho e até curto alguns defeitos que insistem em ficar salientes na borda do saco sem fundo. Embora tenha selecionado tudo com o maior critério confesso que sinto uma falta imensa das coisas que por descuido podei. Sinto falta dos beijos pecaminosos que me enchiam de felicidade. Cortei porque isso me fazia devasso e totalmente vadio. Isso me deixou vulnerável. Sinto falta, também, das noites incríveis de orgias entremeio as estrelas do momento. O que fazia meus pensamentos delirarem entre as sextas e sétimas intenções; nunca compreendidas pela irmandade. Porém, me deixavam acreditar na eternidade. Sinto falta de enfrentar o perigo de amar. De se expor ao prazer da vida. De ser castigado severamente pelo pecado da carne. Sinceramente, não sei mais o que fazer com tanta saúde e equilíbrio moral. Percebo que estou gastando toda a minha paciência me cuidando para nada. Não suporto mais ficar belo somente para mim. Estou me transformando numa amostra grátis de felicidade sem utilidade alguma. Sinto saudade de saborear a vadiagem me consumindo aos poucos e me moldando com as melhores libertinagens da atualidade. Tenho saudades do tempo que errava e sentia a emoção de enfrentar a realidade da marginalidade. Era gostoso pagar pelos erros e adquirir o diploma de honra ao mérito pela experiência vivida. Isso me transformava num campeão de vida. Produzia emoções incríveis. Não tem sentido viver acumulando conceitos e dogmas desnecessários apenas para entregar ao triste fim inevitável. A vida é mais que um sorriso predefinido. De modos relativamente perfeitos. É necessário gargalhar do inusitado. Regalar do perigo de ser feliz. Correr riscos desnecessários que provocam os sentidos e mexem com a libido. É isso! Estou com uma vontade maluca de fazer com alguém aquelas maldades que me transformam em chato, feio e ridículo. Quero voltar ao campo de batalha por um imenso amor que me provoca e me consuma sem moderação. Não quero mais viver preso a essa metade que me leva ao paraíso sem uma Eva bandida por perto que faça perder a paciência. Quer saber?, vou pra casa das primas. Lá pelo menos sempre estarei entre parentes. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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