ILUSTRADO
Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:26
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LIVRO
Salomé, obra clássica de Wilde
O poema dramático Salomé, de Oscar Wilde, destaca-se pela intensa carga simbólica. A peça foi escrita em 1891, no seu melhor momento de produção literária. Escrito inicialmente em francês e depois traduzido para o inglês, o texto passou por sérias emendas que geraram críticas do próprio Wilde, que julgou o resultado decepcionante. A edição da editora Berlendis & Vertecchia que chega vem com crivo do tradutor Ivo Barroso, que afirma ser esta, possivelmente, a primeira no Brasil o escritor, dramaturgo e poeta que Salomé é traduzida direto do original em língua francesa. O livro não só traz história princesa Salomé que dança sobre o sangue para o tetrarca Herodes Antipas, para assim conseguir a cabeça de Iokanaan (João Batista), mas também textos explicativos comparando as traduções em inglês e o francês, curiosidades como os originais bíblicos que fundamentaram a peça, além de trechos relacionados de Fagundes Varela, Gustave Flaubert e Eugênio de Castro. O tradutor teve o cuidado para que a peça não perdesse a sonoridade e ainda fosse usada para ser encenada: A dificuldade que qualquer outro tradutor teria seria o tratamento. Tentar traduzir direto o vous da peça de teatro, implica no fato de que o texto servirá para ser lido e não para ser encenada, pois o vós já caiu totalmente do ouvido brasileiro, não falamos mais vós em hipótese alguma. O tradutor Ivo Barroso destaca que quando as pessoas se tratam em nível respeitoso, essa linguagem tem que ser respeitosa, e quando é íntimo deve ser íntima. Daí eu ter usado nos diálogos do tetrarca com a princesa o tu impreterivelmente. Quem estiver na plateia vai entender perfeitamente, às vezes o tetrarca mistura o tratamento na mesma frase, passa logo para o tu e depois para o você se dirigindo a Isolda, explica Barroso. Para que o leitor entre no clima, também foram selecionadas 16 pinturas relevantes que demonstram os diversos tratamentos artísticos do tema, assim como sua longevidade. As ilustrações vão do século XV ao século XX e incluem reproduções de obras de Rogier van der Weyden, Caravaggio, Ticiano, Jean Benner, Oscar Kokoschka, Frans Stuck, Gustav Klimt, entre outros. Três delas estão reservadas para o pintor Gustave Moreau, cuja obra deflagra o drama, como se vê na série que contém Salomé dansant devant Hérode e LApparition, pintadas por volta de 1876. Ivo Barroso Ivo Barroso é mineiro, nascido em 1929. Mudou-se para o Rio de Janeiro, estudou línguas e literaturas neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro e formou-se em direito pela então Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara. É autor de cerca de 40 livros, a maior parte dos quais de traduções de grandes autores: Hermann Hesse, André Malraux, Umberto Eco, Italo Svevo, Marguerite Yourcenar, Georges Perec, André Breton, August Strindberg, etc.Em poesia, traduziu: William Sghakespeare, Eugenio Montale, T.S. Eliot e Erik-Axel Karfeld além da obra completa de Rimbaud. Organizou a edição da obra de Baudelaire para a Lacerda Editores.De sua lavra, o ensaio: O Corvo e suas traduções (2000) e o livro de versos A Caça Virtual e outros poemas (2001). Membro do Pen Club e Chevalier des Arts et des Lettres. Seu conto Roteiro Turístico foi publicado em francês na revista Caravanes-8 (Phébus, 2003) em tradução de Didier Lamaison. SERVIÇO O QUE: Livro Salomé, de Oscar Wilde EDITORA: Berlendis & Vertecchia TRADUÇÃO: Ivo Barroso INFORMAÇÕES:www.berlendis.com