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ILUSTRADO
Terça-feira, 03 de Março de 2009, 20h:28

DVDs

Roteiro premiado em Cannes é fascinante

“Do Outro Lado”, filme co-produzido entre Alemanha e Turquia, e o premiado título brasileiro, “Linha de Passe”, são os filmes investigados na edição de hoje

Joarez Copertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Indicado para a Palma de Ouro e vencedor de melhor roteiro em Cannes, “Do Outro Lado” (Aut der Anderren Seite, Alemanha/Turquia, 2007/ Imovison) consolida a reputação do jovem diretor – roteirista alemão de origem turca, Fatih Akin, como um dos mais talentosos e brilhantes do cinema contemporâneo. Como no anterior, o impactante “Contra a Parede” (ganhador do Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim 2004), o foco concentra-se nas tensões catalizadas pelo cruzamento de culturas, a de seus patrícios e de seus ascendentes, em constante foco em seus filmes. Sobre a questão, o olhar atual de Akin está ainda mais sensível às qualidades e falhas humanas. Segunda parte da trilogia que fala sobre o amor, a morte e o diabo, “Do Outro Lado” usa elementos como o preconceito, imigração e conservadorismo para contar uma engenhosa história sobre rupturas familiares e conflitos de gerações, onde seis personagens, de três famílias, duas turcas e uma alemã, se envolvem numa ciranda involuntária. São eles um jovem turco professor de literatura alemã, Nejat (Baki Davrak) ; seu pai aposentado, Ali (Tuncel Kurtiz), que se relaciona com a prostituta Yester (Nursel Koose); a filha desta, Ayten (Nurgul Yesilcay), lésbica envolvida com um grupo armado de resistência à globalização na Turquia; sua nova namorada Lotte (Patrícia Ziokowska), estudante germânica que ela encontra ao se refugiar na Alemanha; e a mãe dela, a serena sra Staub (Hanna Schygulha, a musa de Fassbinder, numa atuação que reafirma como interpretar é matizar), que se opõe inicialmente ao caso. Fatos inesperados e violentos fazem com que os seus destinos se cruzem e se completem de forma dramática. De Bremen, na Alemanha, à Istambul, na Turquia, e vice-versa, esses personagens se movem em caminhos pelo encontro e pela reconciliação numa trama complexa onde acidentes de percurso geram novas buscas. Subvertendo o já batido recurso de história e vidas que se interconectam (ao estilo de “Babel”), Akin cria uma narrativa que provê o espectador de informações que não chegam ao alcance dos personagens. Destinos se fundem sem que seus protagonistas tomem conhecimento. Simulando encontros que não se realizam, o roteiro parece brincar com o espectador, é fascinante. “Do Outro Lado” toca na questão política, mas não é um filme político. Faz críticas sociais, embora não chegar a traçar um panorama cultural. De intensa emoção, é um melodrama moderno e original pelo seu contexto.

Edição EDIÇÃO 16965




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