A psicanalista Maria Rita Kehl recebeu a quinta-feira, dia 4 de novembro, às 19h30, o Prêmio Jabuti 2010. Ela ficou em primeiro lugar na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise, com o livro O tempo e o cão - A atualidade das depressões, da Boitempo Editorial, e está cotada para levar também o prêmio de melhor livro do ano de não ficção, eleito por um júri popular. Para desenvolver os três ensaios que compõem sua obra, Maria Rita parte da suposição de que a depressão é um sintoma social contemporâneo. Escrito a partir de experiências e reflexões sobre o contato com pacientes depressivos, o livro aborda um tema que, apesar de muito comentado, é pouco compreendido e menos ainda aceito atualmente. A psicanalista faz um apanhado do lugar simbólico ocupado pela melancolia, desde a Antiguidade clássica até meados do século XX, quando Freud trouxe esse significante do campo das representações estéticas para o da clínica psicanalítica. Para ela: "Freud privatizou o conceito de melancolia; seu antigo lugar de sintoma social retornou sob o nome de depressão". O livro toca também na relação subjetiva dos depressivos com o tempo, chamado pela autora de temporalidade. Para a construção desse pensamento, a autora toma por base reflexões dos filósofos Henry Bergson e Walter Benjamin. (com assessoria)