ILUSTRADO
Sábado, 06 de Setembro de 2008, 10h:22
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LANÇAMENTO
O mundo mágico de Oz
Antonio Gonçalves Filho
Da Reportagem
Considerando o passado do escritor israelense Amós Oz, presença constante na lista do Nobel, até que seu mais recente romance, "Rimas da Vida e da Morte" (Companhia das Letras, tradução do hebraico, glossário e notas de Paulo Geiger, 120 págs., R$ 31), conserva certa dose de humor Oz, nascido Amós Klausner, teve uma adolescência traumática, marcada pela relação com o pai, um rígido intelectual, e o suicídio da mãe, tema explorado no autobiográfico "De Amor e Trevas" (2005). Seu novo livro, portanto, poderia ser apenas amargo, mas tem personagens com manias engraçadas, entre eles uma leitora que coleciona caixas de fósforos e um gato ciumento chamado Joselito, que sabe ver as horas no relógio. Oz concedeu uma entrevista por telefone, justificando o uso do humor como uma arma contra o fanatismo - religioso e político. "Fanáticos não suportam o riso." Autor de livros para adultos, Oz esteve na Flip, em 2007, lançando uma fábula, "De Repente nas Profundezas do Bosque", sobre uma aldeia onde não existem mais animais e as crianças são proibidas até de pronunciar os nomes das bestas. Quem ainda não leu perdeu um bom livro, mas poderá ver em breve um filme nele baseado. O diretor brasileiro Cao Hamburger ("O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias") está negociando os direitos de adaptação para o cinema. Além desse, outro livro de Oz, "A Caixa Preta", será filmado pela cineasta brasileira Monique Gardenberg, diretora do popular "Ó Paí, Ó". O mesmo não deverá suceder a "Rimas da Vida e da Morte". Não por conta das evidentes qualidades do livro, mas pelo número de personagens que entram em cena, nada menos de 38, isso para uma história que dura apenas oito horas, tempo decorrido entre o início da palestra de um escritor e a hora em que ele vai para a cama, lutando contra barulhos noturnos. Reflexão sobre o ato de escrever, o livro começa como um ensaio de respostas às mais freqüentes perguntas feitas pela imprensa a um escritor.