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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 07 de Dezembro de 2010, 20h:30

DVDs

Nos mistérios do subconsciente humano

“A Origem”, do diretor Christopher Nolan, e “Só Dez Por Cento é Mentira”, de Pedro Cezar, que investiga o poeta Manoel de Barros, são os filmes analisados hoje

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Originalíssimo, extravagante, instigante e emocionante, “A Origem” (Inception, EUA,2010/Warner), do diretor Christopher Nolan (“Amnésia”, “O Grande Truque”, “Batman Begins”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”) é o entretenimento mais desafiador que o cinema viu neste ano, um filme capaz de romper paradigmas, de recriar conceitos , de fazer com que enxerguemos um gênero de maneira completamente diferente. Um contador de histórias genuíno sempre intrigado pela mente humana, como se viu em suas obras anteriores, Nolan constrói um roteiro intrincado que fala de sonhos, imaginação e poder da mente numa mescla de filme de aventura, ficção cientifica, thriller, ação, drama existencial e história de amor. Visualmente estonteante e intelectualmente complexo, “A Origem” nos leva à uma viagem fascinante pelo mundo infinito e surreal do subconsciente humano. Nessa viagem pela mente, há muitos caminhos possíveis, como num labirinto. O que você vê talvez não seja o que é. Este não é um filme para quem gosta das fórmulas repetidas e anestesiantes de histórias manjadas e mastigadas com personagens familiares. De deixar o espectador desnorteado ambicioso conceito multidimensional, “A Origem” exige atenção total. Alguns detalhes do roteiro podem passar desapercebidos numa primeira análise. O ideal é se deixar levar pelo perturbador clima onírico e embarcar numa trama rocambolesca composta de deslumbrantes seqüências de tirar o fôlego. Don Cobb (Leonardo DiCaprio, em atuação fantástica) é um tipo muito especifico de segurança. Ele é um segurança do subconsciente, que rouba segredos valiosos das pessoas durante o momento mais vulnerável: o sono dessincronizado, ou sono REM (do inglês, rapid eyes movement), período em que os sonhos acontecem. Para o especialista, o parasita mais temido é a ideia, que é capaz de transformar o mundo e todas as regras. A rara habilidade de Cobb o tornou peça fundamental no traiçoeiro mundo da espionagem industrial, mas também o tornou um fugitivo internacional perdendo tudo o que mais amava. Agora, Cobb tem sua chance de redenção, um último trabalho que pode dar-lhe sua vida de volta se ele conseguir o impossível – uma inserção. Ao invés do roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas, formada por Arthur (Joseph Gordon-Levitt), Eames (Tom Hardy), Yusuf (Dileep Rao) e Ariadne (Ellen Page), têm que obter o inverso: sua tarefa não é roubar uma idéia, mas plantar uma. O golpe arriscado é proposto por um poderoso empresário (Ken Watanabe) e visa a cabeça de um concorrente (Cillian Murphy). Se eles conseguirem terão cometido o crime perfeito. Nos sonhos, Cobb depara com imagens de sua mulher (Marion Cotillard) já morta. Para se ver uma, duas, três, ...vezes!, “A Origem” resgata o poder das idéias e da imaginação, dois artigos bastante em falta em Hollywood.

Edição EDIÇÃO 16959




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