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ILUSTRADO
Quinta-feira, 04 de Junho de 2009, 19h:40

ADEUS

Morre David Carradine, de 'Kung Fu' e 'Kill Bill 2'

Ubiratan Brasil
Agência Estado
O mistério sempre marcou os filmes estrelados por David Carradine - desde o lutador de "Kung Fu", série de televisão que o tornou mundialmente famoso nos anos 1970, até o chefe de um grupo de extermínio em "Kill Bill 2", de Quentin Tarantino, já na década de 90. Também misteriosa foi sua morte, ontem (04/06), aos 72 anos, no hotel Nai Lert Park, na cidade de Bangcoc, na Tailândia. Ele foi encontrado morto dentro do armário de seu luxuoso quarto. Estava nu e pendurado às cortinas, transformadas em corda, segundo a polícia tailandesa, que suspeita de suicídio Afinal, não foram encontrados indícios da presença de outras pessoas no quarto. O corpo do ator foi removido para um hospital, onde seria realizada uma autópsia. Nascido nos Estados Unidos em 8 de dezembro de 1936, David Carradine construiu uma irregular carreira no cinema e na tevê, alternando séries com filmes dirigidos por grandes diretores como Martin Scorsese e Ingmar Bergman - no meio do caminho, participou também de longas nada memoráveis. Filho mais velho de uma família de atores (seu pai foi o ator John Carradine, que apareceu em filmes notáveis como As Vinhas da Ira; entre seus meios-irmãos mais jovens estão Keith e Robert Carradine), ele se tornou conhecido em todo o mundo pela série Kung Fu. Em 1971, o produtor Jerry Thorpe pediu que interpretasse o monge Kwai Chang Caine na série, produzida entre 1972 e 1975 e cujo sucesso o lançou à fama mundial. Seu personagem é o de um monge de ascendência sino-americana, que cresce no tempo Shao-lin da China e se transforma em um budista especialista em kung fu. A série contou com a participação de jovens então desconhecidos, como Harrison Ford e Jodie Foster. O envolvimento foi tamanho que Carradine se transformou em um aficionado do esporte e da filosofia de Shao-lin bem antes do surgimento da new age, na década de 1990. O sucesso na TV era a senha necessária para que chegasse ao cinema, mas além de conseguir o papel de Woody Guthrie no festejado "Esta Terra É Minha Terra", de 1976, e reunir-se a seus irmãos e aos irmãos Keach e Quaid no western estilizado Cavalgada de Proscritos (1980), o ex-dançarino e ator de carreira da Broadway regrediu ou foi para lugar nenhum. Na verdade, teve a chance de participar de filmes menores de grandes diretores, como "O Ovo da Serpente", dirigido por Ingmar Bergman em 1977. Ou ainda "Caminhos Perigosos", de 1973, do então iniciante Martin Scorsese. Além disso, Carradine ficou reduzido a participações esquecíveis em filmes feitos diretamente para o vídeo, repletos de chutes e vingança. A instabilidade levou à bebida e, ainda, a um comportamento reprovável. A recuperação só veio em 1996, quando anunciou que estava livre do vício do álcool. As marcas, porém, ficaram pelo corpo - Carradine exibia as maçãs do rosto e a testa pronunciadas e um pouco de grisalho no cabelo, que escasseava e se tornava liso e de tom arenoso. A redenção completa veio com o convite de Quentin Tarantino para participar da violenta saga "Kill Bill Volume 2", sucesso mundial em que ele viveu Bill, o chefe da gangue perseguida pela Noiva (Uma Thurman). Grandes cenas de lutas, magnificamente filmadas, transformaram-se em seu testamento.

Edição EDIÇÃO 16959




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